Saída de Renato Gomes expõe atuação seletiva no Banco Central
A passagem de Renato Gomes pelo Banco Central (BC) encerrou-se deixando um balanço mais político do que técnico, gerando profundo desconforto no mercado.
Renato Gomes
Longe de ser visto como um regulador previsível, a sua gestão foi marcada pela seletividade.
Lentidão Conveniente: Em casos onde a decisão parecia não ser de interesse imediato, como o processo envolvendo o BRB (que levou cerca de sete meses para ser negado) ou um aporte estrangeiro bilionário de R$ 3 bilhões (que sequer avançou), a análise se arrastou.
Velocidade Recorde: Em contrapartida, outras decisões foram tomadas com uma rapidez incomum.
O mercado observou um padrão claro, embora o critério subjacente nunca tenha sido publicamente estabelecido: demora quando não interessa, aceleração quando convém.
Concentração de Mercado e Hostilidade à Inovação
Sob a gestão de Gomes, o discurso de estabilidade regulatória transformou-se em uma prática que favoreceu a concentração de mercado.
Impacto Negativo: Fintechs e empresas de meios de pagamento encontraram um ambiente regulatório hostil, que as esmagou e impediu o seu desenvolvimento.
Vantagem para os Grandes: Paralelamente, os grandes bancos estabelecidos conseguiram ampliar sua escala, espaço e influência.
O resultado dessa abordagem foi um mercado menos competitivo, menos inovador e, em última análise, pior para os consumidores brasileiros.
O Caso Master: Ação Extrema Sem Transparência
O caso Master é apontado como o símbolo do método adotado na gestão:
Medida Injustificada: Houve uma ação extrema e uma pressa incomum na decisão.
Comunicação Falha: A ação foi acompanhada de uma comunicação deficiente e sem nenhuma demonstração pública de um dano concreto ou vítima clara que justificasse a urgência da intervenção.
A crítica é que um regulador que age dessa maneira não contribui para a organização e a estabilidade do sistema, mas sim para o seu desequilíbrio.
O Conflito Ético da "Porta Giratória"
O momento da saída do ex-diretor só intensificou o desconforto já existente.
O Problema Ético: A possibilidade de Renato Gomes passar a aconselhar grandes bancos imediatamente após deixar a autoridade reguladora levanta um sério problema ético, institucional e simbólico, mesmo que não seja estritamente ilegal.
O Preço da Saída: A chamada “porta giratória” (a transição rápida entre o setor público regulador e o setor privado regulado) é cobrada, especialmente quando o legado deixado é de concentração e fechamento de mercado.
Um Legado de Dúvidas e Um Mercado Mais Fechado
Autoridades monetárias deveriam se retirar deixando um legado de confiança no sistema que ajudaram a organizar. No entanto, Renato Gomes deixa o Banco Central deixando dúvidas sobre seus critérios de regulação e sua independência.
Seu legado final é de um mercado menor, mais fechado e mais dependente do que aquele que encontrou ao assumir o cargo.