Recuperação judicial no agro recua 20,7% no segundo trimestre
Queda nos pedidos de recuperação judicial no campo interrompe tendência de alta e traz alívio momentâneo ao setor.
(Reprodução/Investing BR Economia)
O número de solicitações de recuperação judicial no agronegócio brasileiro apresentou uma retração de 20,7% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo levantamento da Serasa Experian divulgado em 19 de outubro, foram registrados 448 pedidos entre abril e junho, ante 565 contabilizados no segundo trimestre de 2025.
O resultado também representa uma queda de 5,5% na comparação com os três primeiros meses de 2026, que somaram 474 requerimentos. O estudo, que engloba produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas da cadeia produtiva, aponta que Mato Grosso liderou o ranking nacional no período, concentrando 107 solicitações, o equivalente a 23,9% do total.
A diminuição interrompe uma sequência de altas que vinha sendo observada nos segundos trimestres de 2023, 2024 e 2025. Para Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, o recuo pode estar atrelado à sazonalidade das atividades agropecuárias, a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores e ao avanço nas renegociações de dívidas diretamente com os credores.
Apesar do alívio momentâneo, o cenário financeiro do setor permanece desafiador devido a custos elevados, endividamento e maior seletividade na concessão de crédito. Pimenta ressalta que é fundamental acompanhar se a redução será sustentada nos próximos trimestres e reforça que a recuperação judicial deve ser sempre tratada como um último recurso.
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