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Por que os veganos perderam espaço

Produtos plant-based enfrentam estagnação nas vendas enquanto carnes voltam a ganhar protagonismo.

Lucas Aranha 29 Aug 2025
Veganos perderam? Como o mercado esfriou e a carne voltou a vencer

Veganos perderam? Como o mercado esfriou e a carne voltou a vencer

O movimento vegano, que há alguns anos parecia destinado a transformar a indústria alimentícia, perdeu fôlego diante de mudanças econômicas, de consumo e de percepção cultural.

Nos anos 2018 a 2021, o consumo de alternativas vegetais à carne e ao leite explodiu, com empresas como Beyond Meat e Oatly alcançando valorizações bilionárias em Wall Street. O marketing agressivo, somado à crescente preocupação ambiental e de saúde, fez muitos acreditarem que os veganos estavam prestes a “vencer” a batalha contra os alimentos de origem animal.

No entanto, a realidade se mostrou mais dura. Produtos ultraprocessados, preços mais altos que os de carnes tradicionais e sabor muitas vezes criticado afastaram consumidores. Marcas que prometeram “o futuro da alimentação” viram suas ações despencarem, como a Beyond Meat, que perdeu mais de 90% do valor de mercado desde o IPO.

Além disso, estudos recentes relativizaram parte das promessas ambientais: embora a produção de carne bovina seja de fato altamente emissora de carbono, a substituição por ultraprocessados vegetais não necessariamente resolve o problema climático. Para muitos consumidores, a promessa de sustentabilidade não compensou a perda de sabor e o custo mais alto.

A indústria tradicional reagiu rápido. Gigantes como JBS, Tyson e Nestlé investiram em suas próprias linhas de proteína alternativa, enfraquecendo a narrativa das startups independentes. Enquanto isso, o consumo de carne global segue em alta, especialmente em países emergentes, onde renda crescente impulsiona a demanda.

O resultado é claro: o veganismo permanece como um nicho importante, mas não como a revolução dominante que muitos previam. Como resumiu o Financial Times, “os veganos perderam porque o consumidor médio não quis abrir mão do prazer da carne e do leite, ainda vistos como parte essencial da dieta”.

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