Por que o Banco Central não esperou os R$ 3 bilhões?
A liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central (BC) gerou intensos questionamentos em Brasília, focados em um ponto central: por que o regulador agiu tão rapidamente e descartou a análise de um aporte privado de R$ 3 bilhões?
Banco Central
Em 18 de novembro, um fundo estrangeiro apresentou uma proposta de capitalização que, teoricamente, resolveria a situação sem custos para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e sem impacto sistêmico. Contudo, poucas horas depois, o BC decretou a liquidação.
A crítica não é sobre o dever de o BC agir, mas sobre a decisão de não aguardar ou analisar a fundo uma alternativa privada que eliminaria o risco sem custo público. Em casos similares, o procedimento padrão inclui o afastamento da gestão, uma administração temporária e a avaliação da capacidade do comprador, visando preservar ativos e valor. No caso do Master, isso foi ignorado.
A cronologia reforça o desconforto: o tempo entre a proposta e a liquidação foi considerado insuficiente por especialistas para uma due diligence completa ou verificação de garantias.
O Tribunal de Contas da União (TCU) levantou questões sobre a celeridade incomum e a ausência de explicações sobre o descarte de alternativas menos drásticas. O fato de a decisão ter ocorrido às vésperas da saída do diretor responsável aumentou os questionamentos sobre a pressa.
O BC optou por não testar a solução privada. A pergunta que ecoa é: se havia uma proposta formal e instrumentos regulatórios para ganhar tempo, o que justificou a urgência?
O Banco Central tem o direito de rejeitar a proposta, mas precisa explicar os critérios dessa rejeição, especialmente quando a decisão acarreta um impacto bilionário ao FGC e afeta investidores e o mercado. Até o momento, essa transparência não foi fornecida.
Sem uma justificativa clara sobre por que os R$ 3 bilhões foram descartados antes de uma análise aprofundada, a discussão vai além do caso bancário. Ela se transforma em um debate sobre método, transparência, governança e responsabilidade institucional em decisões de tamanha magnitude.