PIB chinês sobe 4,5%, mas crise imobiliária freia avanço
Exportações impulsionam alta, mas setor imobiliário e consumo fraco geram alerta para futuro da economia chinesa.
(Reprodução/G1 Economia)
A economia da China registrou um crescimento de 4,5% no terceiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025. O resultado, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Departamento Nacional de Estatísticas, superou as projeções do mercado, que apontavam para uma alta de 4,4%, e marcou uma aceleração frente aos 4,3% do segundo trimestre.
O avanço foi impulsionado principalmente pelo setor externo e pela indústria. As exportações chinesas saltaram 36% em setembro na comparação anual, enquanto a produção industrial teve alta de 5,5% no mesmo mês. O cenário evidencia uma recuperação desigual, sustentada pela demanda internacional em detrimento do consumo interno.
A fraqueza da demanda doméstica reflete-se nas vendas do varejo, que cresceram apenas 1,1% em setembro. Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, destacou que o crescimento real do varejo, descontada a inflação, praticamente não avançou em relação ao ano anterior. A estagnação do consumo interno tem levado empresas a buscar oportunidades fora do país. Zhang Chao, gerente de operações de uma fabricante de faróis de motocicleta, afirmou que o mercado interno é muito competitivo e sem lucro, tornando a barreira de entrada no exterior mais atrativa.
Em contraste com a força industrial, o setor imobiliário continua a ser o principal entrave ao crescimento sustentável da China. O investimento na área despencou 20,6% no acumulado de janeiro a setembro de 2026, frente ao mesmo período do ano passado. O investimento em ativos fixos também recuou 7,2%. A crise prolongada no setor tem corroído a riqueza das famílias chinesas nos últimos cinco anos, mantendo a cautela dos consumidores.
O governo chinês tem como meta um crescimento anual entre 4,5% e 5% para 2026. Segundo Ho Woei Chen, economista do UOB, a demanda externa continua sendo decisiva para a economia do país. Ele avalia que o desempenho dentro da meta reduz a probabilidade de Pequim adotar estímulos econômicos adicionais de grande escala no curto prazo. O desafio estrutural permanece sendo a redução da dependência das exportações e o estímulo efetivo à demanda doméstica.
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