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Palantir: a empresa de mais de US$400 bilhões que rastreia o mundo

De ferramenta secreta da CIA a gigante de mais de US$400 bilhões, a Palantir se tornou a espinha dorsal da vigilância americana — e agora integra praticamente todo o banco de dados federal dos EUA.

Bruno Richards 09 Aug 2025
O estrategista por trás da empresa que controla os dados do mundo

O estrategista por trás da empresa que controla os dados do mundo

Poucas pessoas já ouviram falar da Palantir Technologies, mas, nos bastidores, ela está no centro de operações que vão da caça a terroristas à integração de dados de hospitais, passando por espionagem corporativa e estratégias para vencer corridas de Fórmula 1. Avaliada em mais de US$400 bilhões, a empresa é considerada indispensável para órgãos de inteligência dos EUA, o Pentágono e até para o mercado financeiro de Wall Street.

#Origem pós-11 de Setembro

A Palantir nasceu em um contexto de medo e vigilância reforçada. Após os ataques de 11 de Setembro, Peter Thiel — cofundador do PayPal — tinha uma missão: criar um software capaz de identificar e impedir ações terroristas antes que acontecessem.

Investidores acharam a ideia paranoica e arriscada. Até que a CIA entrou com US$2 milhões para financiar o projeto. Não por acaso, seu primeiro cliente foi justamente a principal agência de espionagem americana.

#O que a Palantir faz

Na prática, a Palantir rastreia quase tudo: registros de chamadas, conteúdo digital, placas de carro, registros bancários e imagens de câmeras de vigilância. Esses dados são analisados para encontrar padrões ocultos e prever ações antes que elas aconteçam.

Para o governo, isso significa antecipar ameaças. Para empresas, prever falhas, riscos e oportunidades.

#Dois produtos, poder absoluto

A Palantir oferece duas plataformas principais:

  • Gotham – voltada para militares, forças policiais e agências de inteligência. Funciona como um “Google para espiões”: mapeia redes terroristas, rastreia alvos em tempo real e revela conexões ocultas. Foi utilizada em operações que ajudaram a localizar Osama bin Laden.

  • Foundry – voltada para o setor corporativo. Unifica dados de áreas como finanças, logística, RH e cadeia de suprimentos em uma única interface. Empresas como a Airbus a utilizam para prever falhas, a Ferrari para vencer corridas e hospitais para prever demanda de leitos de UTI.

#Casos controversos

O alcance da Palantir levanta questões sobre privacidade. Em 2012, a empresa trabalhou com a polícia de New Orleans para analisar registros de prisão e dados de gangues, classificando indivíduos como “alto risco” de crimes futuros — sem supervisão ou consentimento.

No setor privado, o JPMorgan usou a tecnologia para monitorar funcionários, incluindo e-mails, histórico de navegação, registros de acesso e ligações, até mesmo de executivos de alto escalão.

#Do prejuízo ao topo de Wall Street

A Palantir passou 17 anos sem registrar lucro, mas hoje vale mais de US$400 bilhões — mais que empresas históricas como IBM, Salesforce e Cisco. Suas ações superam o desempenho do índice S&P 500, e investidores a enxergam não apenas como uma empresa de tecnologia, mas como uma nova infraestrutura crítica para governos e corporações.

#2025: a virada

Em março de 2025, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva exigindo que todas as agências federais dos EUA compartilhassem seus dados — incluindo registros fiscais, informações de saúde, arquivos de imigração e logs de vigilância.

O Foundry da Palantir passou a integrar tudo isso, criando um gigantesco banco de dados nacional.

#A espinha dorsal da vigilância americana

Hoje, a Palantir é muito mais que uma startup polêmica: é a espinha dorsal da máquina de vigilância dos Estados Unidos, com presença em hospitais, forças armadas, órgãos federais e grandes empresas.

Para críticos, trata-se de um poder concentrado demais nas mãos de uma única empresa. Para clientes e investidores, é a ferramenta que conecta e interpreta informações vitais em tempo real.

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