Olhar para arte faz bem — e a ciência está provando isso
Estudos científicos recentes mostram que a contemplação artística pode reduzir ansiedade, regular emoções, melhorar o humor e até proteger o coração. Iniciativas globais já integram arte à medicina preventiva e ao tratamento de doenças.
Ver arte reduz estresse, regula o humor e ativa circuitos cerebrais de prazer
Pode parecer surpreendente, mas já é uma realidade: médicos no Canadá, nos Estados Unidos e na Suíça estão prescrevendo visitas a museus, exposições e atividades criativas como parte do tratamento de pacientes com ansiedade, depressão, estresse crônico e até doenças cardíacas.
Essa prática emergente ganhou força com o apoio institucional. Em 2023, a Organização Mundial da Saúde lançou a iniciativa global Jameel Arts & Health Lab, com o objetivo de integrar a arte ao sistema de saúde tradicional. “Uma crescente base de pesquisas — incluindo uma nova revisão sistemática conduzida por nosso laboratório — mostra que até uma única sessão de observação de arte pode reduzir significativamente o estresse e ativar áreas cerebrais ligadas ao prazer”, afirma a Dra. Nisha Sajnani, diretora de artes e saúde da NYU e co-diretora do Lab.
Uma dessas pesquisas, publicada na revista Frontiers in Psychology (2022), revelou que até mesmo breves interações com arte — presencialmente ou online — reduzem os níveis de cortisol (hormônio do estresse) e melhoram o humor. Os efeitos são ainda maiores quando o envolvimento artístico vem acompanhado de reflexão, conexão social ou significado pessoal.
O governo britânico também reconheceu esses benefícios: um estudo oficial divulgado em 2024 estimou que 127 mil pessoas deixaram de desenvolver depressão graças ao envolvimento regular com atividades culturais como ver arte, ouvir música ou frequentar teatros.
No Reino Unido, a ONG Hospital Rooms transforma alas psiquiátricas com obras comissionadas de artistas como Lakwena Maciver e Veronica Ryan. “A arte comunica ao paciente que ele é valorizado, oferece perspectiva, acolhimento e abre possibilidades. Tudo isso colabora com o processo de cura”, afirma a cofundadora da instituição, Niamh White.
Além da saúde mental, a arte também tem impacto direto no corpo. Estudos indicam que emoções positivas geradas pela contemplação artística ajudam a regular a pressão arterial e reforçam o sistema imunológico ao diminuir citocinas inflamatórias. Isso é especialmente importante para idosos, segundo o relatório parlamentar britânico Creative Health, que liga o envolvimento com arte à prevenção de doenças cardíacas, demência e depressão em populações mais velhas.
Para o psiquiatra Jason Shimiaie, que escreve para a Psychology Today, o contato com arte “ativa caminhos de autorregulação emocional e resiliência”. Já iniciativas como o “Your Art World”, das National Galleries of Scotland, demonstram como a arte pode promover empatia, pensamento crítico e diálogo entre jovens — habilidades fundamentais para a saúde emocional e o convívio social.
No mundo contemporâneo, onde os desafios da saúde mental e do envelhecimento populacional se intensificam, a arte surge não apenas como forma de expressão ou prazer — mas como uma ferramenta terapêutica legítima. E ao que tudo indica, o futuro da medicina pode estar mais próximo dos museus do que imaginávamos.