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Old money season: o verão das famílias que criam regras, não seguem modas

Velas ao vento, tênis ao amanhecer e jantares privados: assim vivem o verão aqueles que herdam não só patrimônio, mas também bom gosto.

Bruno Richards 12 Jul 2025
Old money season: o verão das famílias que criam regras, não seguem modas

Old money season: o verão das famílias que criam regras, não seguem modas

#Um bom verão é feito de silêncio, vela, amigos íntimos e jantares longos — não de ostentação.

O verão europeu nunca foi apenas sobre sol e mar. Para quem pertence a certos círculos — ou sabe onde estar —, ele se transforma numa coreografia discreta de deslocamentos elegantes entre casas alugadas, jantares lentos e festas que não aparecem no Instagram.

De Paros a Milos, passando por Ibiza, Saint-Tropez ou pequenas enseadas na Córsega e na Croácia, o Mediterrâneo recebe todos os anos uma migração silenciosa. Os códigos são claros: nada de ostentação. Tudo é escolhido com curadoria — nunca por hype. As roupas são leves, os tons neutros, os barcos veleiros, não lanchas.

Entre os que protagonizam esse roteiro estão jovens herdeiros de grupos industriais, famílias do setor financeiro e nomes do alto escalão do mundo tech, vindos de Londres, Nova York, Genebra — e também do Brasil. Costumam viajar em grupos pequenos, entre cinco e seis amigos próximos. Alugam casas ou ilhas por temporada, contratam chefs particulares e escolhem velejar de ilha em ilha, como se o tempo pudesse ser estendido indefinidamente.

Muitas dessas férias são organizadas com a ajuda de agências especializadas em luxo sob medida — como a Nota Bene, Fischer Travel ou Cookson Adventures — que cuidam de tudo: da logística do barco ao acesso exclusivo a beach clubs e experiências fora do radar. Clubes privados como o Indagare conectam membros a retiros cuidadosamente escolhidos, casas secretas e eventos que não aparecem em nenhum calendário.

Alguns organizam festas íntimas — discretas, com som impecável e poucos convidados — em casas com vista para o mar, no convés de um barco ou em clubs à beira-mar onde seus nomes já são conhecidos antes mesmo da chegada. Outros preferem caminhadas ao nascer do sol, seguidas de café da manhã com vista para o mar Egeu. Não estão ali para serem vistos. Estão para viver bem.


#Esportes que falam a linguagem do old money

Além dos rituais do mar, das mesas e das casas bem escolhidas, o verão europeu também tem seus esportes — e, como tudo nesse universo, eles falam mais sobre tradição do que sobre performance. Polo, tênis, vela e golfe não são apenas lazer. São parte da formação cultural, códigos silenciosos de pertencimento e continuidade.

No Polo Club de Saint-Tropez ou no Guards Polo Club, jovens herdeiros se enfrentam em campo, sob o olhar atento de famílias que se conhecem há décadas. O tênis é jogado no All England Club ou em resorts com quadras de saibro e grama impecável — entre manhãs ensolaradas e fins de tarde com Negroni e conversa baixa.

A vela é quase uma extensão da identidade. No Yacht Club Santo Stefano ou em clubes fechados da Riviera, os verões são passados em regatas, entre ilhas, acumulando milhas e aprendendo o que não se ensina em nenhuma escola de negócios.

Em Londres, clubes como o Roehampton formam jovens desde cedo. Ali se joga tênis, aprende-se croquet e navegação com instrutores particulares. No sul da Europa, não é raro ver filhos dessas famílias em clínicas esportivas que duram o mês todo — com treinos pela manhã e jantares familiares ao pôr do sol.


#Para quem já chegou, não há nada a provar

Esse tipo de verão tem pouco a ver com os destinos superlotados ou festas performáticas dos emergentes. Enquanto novos ricos buscam validação em lugares barulhentos e selfies, quem já construiu (ou herdou) seu lugar prefere o que não está em evidência: o silêncio, a repetição refinada de rostos e lugares, a ausência de pressa.

É um verão elegante, sem esforço, feito para quem já entendeu que luxo mesmo é poder escolher — com quem estar, onde jantar, o que beber e quando desaparecer. Para muitos, isso seria o auge de um ano inteiro. Para eles, é apenas mais uma temporada. Um capítulo a mais de um estilo de vida que não precisa ser explicado — apenas vivido.

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