Moody's alerta: crédito ampliado eleva risco bancário
Agência de risco aponta que expansão de crédito pelo governo pode gerar instabilidade para bancos.
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A agência de classificação de risco Moody's sinalizou que as recentes medidas do governo para expandir o acesso ao crédito, embora visem estimular a economia, podem acarretar um aumento nos riscos para o setor bancário. A avaliação surge em um momento de perspectivas estáveis para o perfil de crédito soberano na América Latina e Caribe, mas com desafios fiscais e geopolíticos em curso.
Em relatório divulgado no início de julho de 2026, a Moody's destacou que a ampliação dos estímulos ao crédito, uma estratégia frequentemente adotada para impulsionar a atividade econômica, pode sobrecarregar a capacidade de pagamento de devedores e, consequentemente, aumentar a exposição de risco das instituições financeiras. Essa preocupação se insere em um cenário macroeconômico regional complexo, onde progressos fiscais desiguais e transições eleitorais demandam atenção.
A análise da agência, que abrange o período de 2026-2027, aponta para uma recuperação econômica impulsionada por reformas e pela retomada do acesso aos mercados por países com ratings mais baixos. No entanto, esse movimento coexiste com um enfraquecimento do dinamismo fiscal e um crescimento moderado nas economias maiores e com ratings mais elevados. Nesse contexto, o aumento do custo da dívida se torna um fator de atenção, tanto para governos quanto para o setor privado.
A expansão do crédito, em tese, deveria facilitar o investimento e o consumo, motores essenciais para o crescimento. Contudo, a Moody's alerta para a necessidade de um acompanhamento rigoroso da qualidade desses novos empréstimos. Se a concessão de crédito se der sem a devida análise de risco ou se os tomadores de empréstimo enfrentarem dificuldades futuras para honrar seus compromissos, o resultado pode ser um aumento significativo na inadimplência. Para os bancos, isso se traduz em maiores provisões para perdas e, em última instância, em uma deterioração de seus balanços.
O contexto regional, conforme apontado por outras análises, reforça a cautela. A América Latina e o Caribe, apesar de uma perspectiva soberana estável, enfrentam um cenário de "progressos fiscais desiguais". Isso significa que nem todos os países estão avançando no mesmo ritmo na consolidação de suas contas públicas, o que pode gerar vulnerabilidades adicionais. As transições eleitorais, comuns na região, também representam um ponto de interrogação, pois a capacidade dos novos governos de manter a estabilidade e implementar reformas fiscais será crucial para a sustentabilidade econômica.
Adicionalmente, as mudanças geopolíticas, como a renegociação de acordos comerciais internacionais, como o Acordo EUA-México-Canadá (USMCA), indicam um cenário de maior incerteza e a necessidade de adaptação por parte das economias. Nesse ambiente, a ampliação de estímulos ao crédito pode ser vista como uma tentativa de mitigar os efeitos de desaceleração ou de incertezas externas, mas a forma como essa expansão é gerida é determinante para seu sucesso.
A Moody's, ao emitir seu alerta, não questiona a intenção do governo em fomentar a economia, mas sim a potencial fragilidade que uma política de crédito expansionista pode gerar no sistema financeiro. A agência sugere que a supervisão regulatória sobre as práticas de concessão de crédito deve ser intensificada, e que os bancos precisam estar preparados para cenários de maior estresse, com planos de contingência robustos.
O desafio reside em encontrar um equilíbrio delicado: estimular a economia através do crédito sem comprometer a solidez do sistema financeiro. A capacidade de monitorar a qualidade do crédito concedido, a saúde financeira dos tomadores e a eficácia das garantias oferecidas serão fatores determinantes para que os estímulos se traduzam em crescimento sustentável, e não em uma fonte de instabilidade futura. A avaliação da Moody's serve como um lembrete da importância da prudência e da gestão de riscos em qualquer política de fomento econômico.