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MDMA é testado em narcisistas e mostra potencial para estimular empatia

Em Seattle, nos Estados Unidos, um estudo clínico inédito está testando o uso do MDMA, conhecido popularmente como ecstasy, no tratamento de adultos diagnosticados com transtorno de personalidade narcisista.

Lucas Aranha • • 2 min de leitura
MDMA

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Estudo pioneiro combina psicanálise e MDMA

Em Seattle, nos Estados Unidos, um estudo clínico inédito está testando o uso do MDMA — conhecido popularmente como ecstasy — no tratamento de adultos diagnosticados com transtorno de personalidade narcisista. Conduzida pela psiquiatra Alexa Albert, da Universidade de Washington, a pesquisa envolve 12 voluntários que recebem a substância em cápsulas, sob supervisão médica.


A proposta combina três sessões mensais de uso do MDMA com terapia psicanalítica intensiva. A intenção é explorar os efeitos temporários da substância — como empatia aumentada, abertura emocional e redução das defesas psíquicas — como uma ponte para alcançar aspectos emocionais geralmente inacessíveis nesses pacientes.


Empatia induzida como porta de entrada terapêutica

Durante as sessões, os pacientes são acompanhados por psicoterapeutas experientes, que os guiam em reflexões profundas sobre memórias, vínculos e conflitos internos. O estado emocional facilitado pelo MDMA cria uma espécie de “janela terapêutica” que pode tornar possível o desenvolvimento de empatia real — algo frequentemente ausente nos quadros de narcisismo patológico.

Após o ciclo de intervenções com a substância, os participantes seguem sendo monitorados por seis meses, a fim de avaliar a durabilidade das transformações emocionais e comportamentais observadas.


Perspectivas para um dos distúrbios mais resistentes

O transtorno de personalidade narcisista é considerado um dos mais difíceis de tratar na psiquiatria moderna, em parte pela dificuldade que os pacientes têm em reconhecer fragilidades, aceitar críticas e se engajar genuinamente em processos terapêuticos.

Caso os resultados do estudo sejam promissores, a combinação de MDMA com psicoterapia pode abrir caminho para uma abordagem mais eficaz e humanizada desse transtorno, até então resistente aos métodos tradicionais.

Embora ainda esteja em fase inicial, a pesquisa se insere em um movimento mais amplo de revalorização do uso terapêutico de substâncias psicodélicas, como já vem ocorrendo em estudos com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), depressão e ansiedade refratária.

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