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Mais de R$ 1 trilhão: FIDCs ganham espaço no agro

Fundos de Investimento em Direitos Creditórios oferecem rapidez, garantias reais e diversificação, conquistando produtores e investidores em um mercado que deve dobrar de tamanho nos próximos dois anos.

Lucas Aranha 01 Sep 2025
Com burocracia no crédito público, agro aposta nos FIDCs para manter competitividade

Com burocracia no crédito público, agro aposta nos FIDCs para manter competitividade

#Fundos estruturados oferecem rapidez, personalização e atraem também o investidor, criando uma ponte direta entre mercado e campo

Apesar do volume expressivo de R$ 516,2 bilhões anunciado pelo Plano Safra 2025/2026, produtores rurais seguem enfrentando dificuldades para acessar o crédito público. Apenas R$ 113,8 bilhões desse total — pouco mais de 22% — contam com juros efetivamente subsidiados. O restante depende de condições de mercado, exigências ambientais e operacionais que tornam o processo lento e, muitas vezes, incompatível com o ritmo do campo.

Nesse cenário, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) se consolidam como protagonistas de uma nova forma de financiar o agronegócio. Com análise técnica antecipada, plataformas digitais e liberação de recursos em até dez dias úteis, os fundos já respondem por um patrimônio líquido de R$ 630 bilhões (maio/2025), um crescimento de 18% em um ano. A expectativa é que esse número ultrapasse R$ 1 trilhão até 2027.

#Crédito sob medida

Diferente das linhas públicas, que muitas vezes chegam atrasadas ou em volume insuficiente, os FIDCs operam com estruturas personalizadas. Utilizam instrumentos como a Cédula de Produto Rural (CPR) e contam com garantias reais — como penhor de safra ou alienação fiduciária de imóveis — para liberar crédito adaptado à realidade de cada produtor.

CEO Gustavo Assis

O produtor não pode mais depender de um crédito que chega atrasado ou em volume insuficiente. O melhor recurso é aquele que atende à necessidade do negócio no tempo certo”, afirma Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, destacando o acompanhamento técnico antes, durante e depois da concessão.

#De ponta a ponta na cadeia

A versatilidade dos FIDCs permite atender desde pequenos produtores até grupos agroindustriais e fornecedores de insumos, integrando diferentes elos da cadeia produtiva. Um mesmo fundo pode, por exemplo, unir fornecedores de cana e usinas consumidoras de biomassa em uma única estrutura de recebíveis — reduzindo riscos e melhorando a previsibilidade de caixa.

Para os investidores, essa composição representa uma carteira diversificada, com exposição a múltiplas culturas, regiões e perfis de tomadores, além de proteção adicional via cotas subordinadas e garantias reais.

#Nova mentalidade no campo

O avanço dos FIDCs acompanha a profissionalização do agro brasileiro. Com a transição geracional, muitos grupos familiares passaram a adotar práticas de gestão mais sofisticadas, incorporando proteção patrimonial e maior rigor na avaliação do custo de capital.

“Hoje conseguimos oferecer crédito sob medida, com análise técnica feita em campo e liberação no momento certo da safra. Isso muda completamente a dinâmica de quem está na ponta, produzindo”, reforça Assis.

#Competitividade nacional

Mais do que uma alternativa ao financiamento tradicional, os FIDCs representam uma mudança de paradigma na forma como o agro acessa e administra recursos. Eles permitem que o produtor deixe de depender da burocracia estatal e opere com previsibilidade, estratégia e estrutura compatível com sua realidade.

Em um país onde o agronegócio responde por cerca de 25% do PIB, movimentando cadeias que vão do alimento à energia, destravar o crédito privado se tornou questão de competitividade nacional. Fora da Faria Lima, os FIDCs já são vistos como protagonistas de uma nova fronteira do financiamento rural — aproximando o investidor urbano do campo e criando pontes sustentáveis entre capital e produtividade.

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