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Mais de R$ 1 trilhão: FIDCs ganham espaço no agro

Fundos de Investimento em Direitos Creditórios oferecem rapidez, garantias reais e diversificação, conquistando produtores e investidores em um mercado que deve dobrar de tamanho nos próximos dois anos.

Lucas Aranha • • 3 min de leitura
Com burocracia no crédito público, agro aposta nos FIDCs para manter competitividade

Com burocracia no crédito público, agro aposta nos FIDCs para manter competitividade

#Fundos estruturados oferecem rapidez, personalização e atraem também o investidor, criando uma ponte direta entre mercado e campo

Apesar do volume expressivo de R$ 516,2 bilhões anunciado pelo Plano Safra 2025/2026, produtores rurais seguem enfrentando dificuldades para acessar o crédito público. Apenas R$ 113,8 bilhões desse total — pouco mais de 22% — contam com juros efetivamente subsidiados. O restante depende de condições de mercado, exigências ambientais e operacionais que tornam o processo lento e, muitas vezes, incompatível com o ritmo do campo.

Nesse cenário, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) se consolidam como protagonistas de uma nova forma de financiar o agronegócio. Com análise técnica antecipada, plataformas digitais e liberação de recursos em até dez dias úteis, os fundos já respondem por um patrimônio líquido de R$ 630 bilhões (maio/2025), um crescimento de 18% em um ano. A expectativa é que esse número ultrapasse R$ 1 trilhão até 2027.

#Crédito sob medida

Diferente das linhas públicas, que muitas vezes chegam atrasadas ou em volume insuficiente, os FIDCs operam com estruturas personalizadas. Utilizam instrumentos como a Cédula de Produto Rural (CPR) e contam com garantias reais — como penhor de safra ou alienação fiduciária de imóveis — para liberar crédito adaptado à realidade de cada produtor.

CEO Gustavo Assis

“O produtor não pode mais depender de um crédito que chega atrasado ou em volume insuficiente. O melhor recurso é aquele que atende à necessidade do negócio no tempo certo”, afirma Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, destacando o acompanhamento técnico antes, durante e depois da concessão.

#De ponta a ponta na cadeia

A versatilidade dos FIDCs permite atender desde pequenos produtores até grupos agroindustriais e fornecedores de insumos, integrando diferentes elos da cadeia produtiva. Um mesmo fundo pode, por exemplo, unir fornecedores de cana e usinas consumidoras de biomassa em uma única estrutura de recebíveis — reduzindo riscos e melhorando a previsibilidade de caixa.

Para os investidores, essa composição representa uma carteira diversificada, com exposição a múltiplas culturas, regiões e perfis de tomadores, além de proteção adicional via cotas subordinadas e garantias reais.

#Nova mentalidade no campo

O avanço dos FIDCs acompanha a profissionalização do agro brasileiro. Com a transição geracional, muitos grupos familiares passaram a adotar práticas de gestão mais sofisticadas, incorporando proteção patrimonial e maior rigor na avaliação do custo de capital.

“Hoje conseguimos oferecer crédito sob medida, com análise técnica feita em campo e liberação no momento certo da safra. Isso muda completamente a dinâmica de quem está na ponta, produzindo”, reforça Assis.

#Competitividade nacional

Mais do que uma alternativa ao financiamento tradicional, os FIDCs representam uma mudança de paradigma na forma como o agro acessa e administra recursos. Eles permitem que o produtor deixe de depender da burocracia estatal e opere com previsibilidade, estratégia e estrutura compatível com sua realidade.

Em um país onde o agronegócio responde por cerca de 25% do PIB, movimentando cadeias que vão do alimento à energia, destravar o crédito privado se tornou questão de competitividade nacional. Fora da Faria Lima, os FIDCs já são vistos como protagonistas de uma nova fronteira do financiamento rural — aproximando o investidor urbano do campo e criando pontes sustentáveis entre capital e produtividade.

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