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Lula Busca Diálogo com Colômbia e México Diante de Debate nos EUA Sobr

Not Journal 11 Mar 2026
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Lula Busca Diálogo com Colômbia e México Diante de Debate nos EUA Sobre Classificação de Facções Brasileiras como Terroristas

Presidente manifesta preocupação com possíveis impactos de uma eventual designação de PCC e CV como organizações terroristas por Washington, buscando apoio regional.

Em um movimento que reflete a crescente apreensão no governo brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou, nesta quarta-feira (11), ligações para os presidentes da Colômbia e do México. O motivo central das conversas foi a preocupação com o debate em curso nos Estados Unidos sobre a possível designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A iniciativa de Lula visa construir um diálogo regional e avaliar os potenciais impactos de tal decisão para a segurança e a soberania dos países da América Latina.

A articulação do presidente Lula ocorre em um momento delicado, marcado por crescentes discussões em Washington sobre a atuação transnacional das facções criminosas brasileiras. Nos últimos meses, autoridades americanas têm demonstrado um interesse crescente em entender a estrutura, o financiamento e a influência do PCC e do CV, não apenas no Brasil, mas também em outros países da região.

O promotor de justiça Lincoln Gakiya, do Gaeco de Presidente Prudente (SP), que investiga o PCC há duas décadas, afirmou que os Estados Unidos não devem levar em consideração a posição do governo brasileiro sobre classificar o PCC como organização terrorista. Gakiya se reuniu com assessores do senador Marco Rubio nos últimos meses, a fim de fornecer informações sobre o funcionamento da facção. Segundo ele, os representantes norte-americanos estiveram no Brasil em 2025 para obter informações detalhadas sobre a ameaça do PCC e seus impactos internacionais.

A possível classificação das facções como terroristas nos EUA poderia acarretar uma série de consequências para o Brasil e para a região. Entre elas, estariam o aumento da pressão internacional sobre o país no combate ao crime organizado, a imposição de sanções econômicas e financeiras, e a ampliação da cooperação entre agências de inteligência e forças de segurança dos Estados Unidos e de outros países no rastreamento de recursos e na prisão de líderes das facções.

O governo brasileiro tem manifestado cautela em relação a essa possibilidade, argumentando que a designação de terrorismo poderia levar a uma escalada da violência e a um endurecimento das políticas de segurança, com impactos negativos para a população carcerária e para os direitos humanos. Além disso, há o receio de que a medida possa ser utilizada como pretexto para interferências externas na soberania nacional.

A preocupação do governo Lula se justifica também pelo histórico recente de prisões de figuras políticas com supostos laços com o crime organizado. A prisão de um vereador do Rio de Janeiro, suspeito de envolvimento com o Comando Vermelho, reacendeu o debate sobre a infiltração das facções na política e a necessidade de medidas mais rigorosas para combater a corrupção e o crime organizado.

As conversas com os presidentes da Colômbia e do México visam, portanto, a construção de uma frente diplomática para discutir o tema e buscar alternativas para o enfrentamento do crime organizado transnacional, que não impliquem na criminalização generalizada e na estigmatização de comunidades inteiras. A ideia é fortalecer a cooperação regional em áreas como inteligência, segurança de fronteiras e combate à lavagem de dinheiro, buscando soluções conjuntas que respeitem a soberania e os direitos humanos de cada país.

O desfecho desse debate nos Estados Unidos e a forma como o governo brasileiro irá lidar com essa questão terão um impacto significativo na política de segurança pública do país e nas relações internacionais do Brasil com os Estados Unidos e com a América Latina. A articulação do presidente Lula demonstra a importância de uma abordagem diplomática e estratégica para enfrentar os desafios complexos do crime organizado transnacional, buscando soluções que promovam a segurança, a justiça e o desenvolvimento sustentável na região.

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