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Licença-maternidade estendida em declínio impacta mães no mercado

Estudo aponta que menos empresas oferecem licença estendida, e demissões pós-retorno afetam a carreira de mães.

Not Journal 11 May 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Levantamento revela aumento de demissões após o retorno ao trabalho, expondo desafios para a permanência feminina no emprego.

A concessão de licença-maternidade estendida, um benefício que visa facilitar a conciliação entre a vida profissional e familiar, tem se mostrado cada vez menos frequente no Brasil. Um levantamento recente divulgado pelo G1 Política aponta para uma diminuição na adesão das empresas a essa prática, com um impacto direto e preocupante na empregabilidade feminina: cerca de 380 mil mulheres foram demitidas após o término de suas licenças.

A pesquisa revela um cenário complexo, onde a busca por maior flexibilidade e apoio no período pós-parto esbarra em dificuldades econômicas e culturais. A licença-maternidade estendida, que permite às mães permanecerem afastadas do trabalho por um período maior do que os tradicionais 120 dias, é vista por muitas como essencial para o desenvolvimento saudável do bebê e para a adaptação da família à nova rotina. No entanto, a resistência de algumas empresas em oferecer esse benefício, somada à crescente onda de demissões após o retorno ao trabalho, levanta sérias questões sobre o compromisso do mercado com a igualdade de gênero e a proteção da maternidade.

Especialistas apontam que a crise econômica dos últimos anos pode ter contribuído para a redução da oferta de licenças estendidas, já que as empresas buscam cortar custos e aumentar a produtividade. Além disso, a falta de uma legislação mais abrangente e que incentive a adesão das empresas à licença-maternidade estendida também dificulta a implementação dessa prática.

O impacto das demissões no retorno da licença-maternidade vai além da questão financeira. A perda do emprego pode gerar instabilidade emocional, dificultar a busca por novas oportunidades e comprometer o desenvolvimento profissional das mulheres. Muitas vezes, as mães se veem obrigadas a aceitar trabalhos informais ou com salários mais baixos para poderem cuidar de seus filhos, o que perpetua a desigualdade de gênero no mercado de trabalho.

Diante desse cenário, diversas iniciativas têm surgido para tentar reverter essa tendência. Organizações da sociedade civil e grupos de defesa dos direitos das mulheres têm promovido campanhas de conscientização e pressionado o governo e as empresas a adotarem políticas mais favoráveis à maternidade. Projetos de lei que visam ampliar a licença-maternidade e garantir a estabilidade no emprego para as mães também estão em discussão no Congresso Nacional.

O debate sobre a licença-maternidade estendida e a empregabilidade feminina ganha ainda mais relevância em um momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem assumido um papel de destaque na política nacional, como aponta o G1 Política. A judicialização de temas como a igualdade de gênero e os direitos das mulheres coloca o STF no centro das discussões e exige uma análise cuidadosa das decisões da Corte sobre essas questões.

Além disso, a disseminação de desinformação sobre temas relacionados aos direitos das mulheres, como o chamado "PL da Misoginia", também representa um desafio para a promoção da igualdade de gênero e a proteção da maternidade. Segundo a Agência Brasil, a desinformação nas redes sociais pode influenciar a opinião pública e dificultar a aprovação de leis e políticas que beneficiem as mulheres.

Enquanto isso, o Brasil busca fortalecer suas relações comerciais com a União Europeia, como demonstra a visita de uma missão europeia ao país para acelerar os efeitos econômicos do acordo Mercosul-UE, conforme noticiado pelo G1. A busca por novos mercados e investimentos pode gerar oportunidades de emprego e renda, mas é fundamental que essas oportunidades sejam acessíveis a todos, independentemente do gênero.

O desafio de garantir a empregabilidade feminina e a proteção da maternidade exige um esforço conjunto do governo, das empresas e da sociedade civil. É preciso criar um ambiente de trabalho mais acolhedor e flexível para as mães, com políticas que incentivem a licença-maternidade estendida, a creche no local de trabalho e outras medidas que facilitem a conciliação entre a vida profissional e familiar. Somente assim será possível garantir que as mulheres não sejam penalizadas por serem mães e que possam desenvolver todo o seu potencial no mercado de trabalho.

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