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Itamaraty critica tarifas dos EUA e vê negociações como forma

Governo brasileiro critica tarifas americanas e avalia falta de avanço em negociações comerciais bilaterais.

Not Journal 24 Jul 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Brasil avalia que acordos comerciais com os Estados Unidos não avançaram em temas cruciais, com tarifas cumulativas sendo um ponto de discórdia significativo. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) expressou insatisfação com o andamento das negociações comerciais com os Estados Unidos, avaliando que os diálogos recentes foram realizados mais por formalidade do que com o objetivo de alcançar resultados concretos em questões de interesse bilateral. A percepção é de que as tarifas impostas pelos EUA, especialmente as de caráter cumulativo, continuam sendo um obstáculo intransponível, minando a possibilidade de um avanço substancial.

A avaliação do Itamaraty sugere que, apesar dos encontros e discussões promovidas, a agenda bilateral em termos comerciais não avançou em pontos considerados cruciais para o Brasil. Um dos principais focos de descontentamento reside na manutenção e na imposição de tarifas cumulativas por parte dos Estados Unidos. Essas tarifas, que se somam a outras já existentes ou que incidem sobre diferentes etapas da cadeia produtiva, geram um impacto negativo significativo para os exportadores brasileiros, tornando os produtos nacionais menos competitivos no mercado americano. A expectativa era de que as negociações pudessem endereçar essas barreiras, mas a percepção oficial é de que houve pouca ou nenhuma flexibilização por parte da delegação americana.

Fontes ligadas ao Itamaraty indicam que a sensação é de que as reuniões foram realizadas mais para "cumprir tabela", ou seja, para manter um cronograma de contatos diplomáticos, sem, contudo, haver uma disposição genuína em aprofundar acordos ou resolver pendências estruturais. Essa postura, segundo o governo brasileiro, dificulta a construção de uma relação comercial mais equilibrada e mutuamente benéfica. O Brasil busca um ambiente de negócios mais favorável, com a redução de barreiras tarifárias e não tarifárias, o que permitiria um aumento do fluxo comercial e do investimento entre os dois países.

A questão das tarifas cumulativas, em particular, tem sido um ponto de atrito recorrente. Para o setor produtivo brasileiro, a complexidade e o peso dessas tarifas representam um desafio logístico e financeiro considerável. A falta de progresso em resolver essa questão específica leva a uma frustração diplomática, pois demonstra uma aparente falta de reciprocidade por parte dos Estados Unidos em relação às demandas brasileiras. Essa situação pode ter implicações mais amplas na relação bilateral, afetando não apenas o comércio, mas também outras áreas de cooperação.

Em um cenário global cada vez mais complexo, onde a inteligência artificial e as questões de segurança internacional ganham destaque – como a discussão sobre o desligamento de IAs em caso de ameaça e os acordos nucleares envolvendo urânio enriquecido –, a estabilidade nas relações comerciais se torna ainda mais relevante. A falta de avanços em acordos comerciais pode criar um vácuo de cooperação em um momento que exige parcerias fortes e confiáveis. O Brasil, ao expressar sua insatisfação, busca sinalizar a importância de uma abordagem mais pragmática e colaborativa por parte dos Estados Unidos.

A diplomacia brasileira tem buscado, em diversas frentes, fortalecer laços e garantir condições mais justas para o comércio internacional. A postura em relação aos acordos com os EUA reflete essa busca por um tratamento mais equitativo. A avaliação de que as negociações foram meramente protocolares sugere que o Brasil pode estar reavaliando suas estratégias de engajamento com os Estados Unidos em matéria comercial, possivelmente buscando alternativas ou reforçando suas posições em fóruns multilaterais. A expectativa é que, em futuras rodadas de negociação, haja uma abertura maior para discutir e resolver as barreiras que têm impedido um avanço mais significativo.

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