Índice do medo da bolsa atinge recorde às vésperas de eleição
Mercado reage com apreensão à indefinição eleitoral e projeta volatilidade recorde para os próximos 30 dias.
(Reprodução/Correio Braziliense Economia)
O indicador que mede a volatilidade da bolsa de valores brasileira, conhecido como "índice do medo", registrou o maior patamar de sua história. Na quinta-feira (22), o S&P/B3 Ibovespa VIX fechou em 45,27 pontos, após uma alta diária de 6,72%.
O recorde ocorre a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo (25). O cenário reflete a apreensão do mercado financeiro diante da indefinição do pleito, disputado entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Uma pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada na noite de quinta-feira, apontou empate entre os candidatos, com 50% dos votos válidos cada.
O S&P/B3 Ibovespa VIX, criado em março de 2024, projeta a volatilidade implícita para os próximos 30 dias, baseando-se nos preços de opções do Ibovespa. No mercado financeiro, níveis acima de 30 pontos indicam forte turbulência e aversão ao risco.
De acordo com Renan Silva, economista-chefe da Bluemetrix Asset, a incerteza eleitoral é o principal motor dessa alta. "Diante de visões econômicas divergentes e disputas acirradas nas pesquisas, o mercado passa a precificar uma maior volatilidade, ou variabilidade de retornos possíveis após a apuração", afirmou o especialista.
Historicamente, indicadores de volatilidade tendem a atingir picos na reta final de campanhas eleitorais. A expectativa é que o índice recue após a confirmação dos resultados das urnas, quando o cenário político se torna mais claro e as incertezas diminuem.
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