IA: o uso estratégico é o diferencial
Especialista defende que foco deve ser em aplicar a tecnologia para otimizar processos e gerar valor real.
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Guga Stocco, da RedMind Creative Capital, defende que a inteligência artificial exige mais do que adoção; demanda compreensão de seu propósito e potencial de otimização.
O debate em torno da inteligência artificial (IA) tem evoluído para além da mera adoção tecnológica. A perspectiva de Guga Stocco, da RedMind Creative Capital, aponta para uma fase mais madura, onde o foco se desloca para a aplicação estratégica e a geração de valor real. Em declarações recentes, Stocco enfatizou que o verdadeiro desafio não reside apenas em implementar ferramentas de IA, mas em discernir "para quê" e "como" utilizá-las para impulsionar a eficiência. Essa visão ressoa com discussões mais amplas sobre o futuro do trabalho e a competitividade empresarial na era digital.
A inteligência artificial, que outrora parecia um horizonte distante, agora se consolida como uma força transformadora em diversos setores. No entanto, a empolgação inicial com o potencial da tecnologia está gradualmente dando lugar a uma análise mais criteriosa sobre sua aplicação prática. Simone Sancho, fundadora e CEO da Belong Be, também abordou essa transição durante o VII Innovation Day, promovido pelo MONEY REPORT. Ela destacou a preocupação com o "uso raso da IA", alertando que a vantagem competitiva não virá simplesmente de quem utiliza a tecnologia, mas de quem sabe exatamente "o que quer resolver" com ela. Essa abordagem pragmática sugere que as empresas precisam definir objetivos claros e alinhar as capacidades da IA a essas metas para obter resultados significativos.
A busca por eficiência e rentabilidade através da IA tem levado à redefinição do papel humano no ambiente de trabalho. Sancho observa o surgimento de profissionais com um perfil de "orquestradores de IA", indivíduos capazes de estruturar processos e extrair resultados consistentes das ferramentas disponíveis. Essa nova dinâmica aponta para uma colaboração entre humanos e máquinas, onde a inteligência humana é crucial para guiar e otimizar o desempenho da IA. A capacidade de compreender as nuances de cada negócio e traduzi-las em comandos e estratégias para a IA torna-se um diferencial competitivo.
O impacto da IA se estende a mercados tradicionais, como o imobiliário, onde a tecnologia está abrindo novas frentes de investimento e otimização. Adriano Sartori, presidente da CBRE Brasil, mencionou no mesmo evento que a inteligência artificial está transformando o setor, desde a concepção de escritórios até a expansão de data centers. Empresas de e-commerce, por exemplo, já utilizam IA para otimizar rotas de entrega e prever demandas, o que, por sua vez, influencia a necessidade de infraestrutura logística e de armazenamento. Essa interconexão entre comércio eletrônico, logística e o mercado imobiliário demonstra como a IA pode remodelar a dinâmica urbana e impulsionar novos modelos operacionais.
A CBRE Brasil, em parceria com outras empresas, desenvolveu uma ferramenta de IA para auxiliar na projeção do "escritório do futuro". Essa solução busca oferecer previsibilidade e otimização dos espaços de trabalho, adaptando-se às novas demandas e modelos de operação que emergem com a evolução tecnológica. A capacidade de antecipar tendências e necessidades, utilizando a IA como ferramenta de análise e planejamento, é um exemplo claro de como a tecnologia pode gerar valor estratégico.
No entanto, a discussão sobre IA não está isenta de desafios. A rápida evolução tecnológica e a proliferação de informações, muitas vezes sem a devida curadoria, podem gerar ruído e dificultar a identificação das aplicações mais promissoras. A preocupação com o uso superficial da IA, que se limita a automatizar tarefas sem uma análise profunda de seu potencial transformador, é um ponto de atenção. A verdadeira vantagem competitiva reside na capacidade de integrar a IA de forma inteligente aos processos de negócio, buscando soluções inovadoras e eficientes.
Paralelamente, o cenário global apresenta desafios complexos que exigem atenção e soluções eficazes, muitas vezes com o auxílio da tecnologia. Casos como o de tráfico de pessoas, que envolvem a exploração de vulneráveis, demandam investigações rigorosas e ações coordenadas. Embora não diretamente ligados ao tema da IA em sua aplicação empresarial, esses eventos sublinham a importância da tecnologia como ferramenta de apoio à segurança e à justiça, na análise de dados e na identificação de padrões criminosos. A capacidade de processar grandes volumes de informação e identificar conexões pode ser um aliado na luta contra crimes complexos.
Em suma, a era da inteligência artificial exige uma abordagem mais sofisticada do que a simples adoção de novas ferramentas. O foco deve estar na compreensão profunda de seu propósito, na identificação de problemas que ela pode resolver de forma eficaz e na integração estratégica com os objetivos de negócio. A capacidade de discernir entre o que é tendência passageira e o que gera valor real e eficiência operacional será o