IA na prática: o que realmente importa para inovar
Especialista aponta que clareza de objetivos é chave para extrair valor real da inteligência artificial e garantir vantagem competitiva.
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Simone Sancho, da Belong Be, alerta para o uso superficial da tecnologia e destaca a importância de definir objetivos claros para obter vantagens competitivas.
A inteligência artificial (IA) tem se consolidado como uma força transformadora em diversos setores, mas a sua aplicação eficaz vai além da simples adoção de ferramentas. Simone Sancho, CEO da Belong Be, ressalta que o uso raso da IA é preocupante e que a verdadeira vantagem competitiva reside na capacidade de identificar e resolver problemas específicos. Em um cenário onde a tecnologia avança a passos largos, a clareza sobre o que se busca alcançar com a IA é fundamental para que empresas e profissionais naveguem com sucesso pelas oportunidades e desafios que ela apresenta.
O debate sobre a inteligência artificial ganhou ainda mais relevância em agosto de 2026, com discussões que abordaram os desafios pós-IA para pessoas e empresas. Nesse contexto, Adriano Sartori, presidente da CBRE Brasil, destacou em um evento promovido pelo MONEY REPORT como a IA está remodelando o mercado imobiliário, desde a concepção de escritórios até a otimização de galpões logísticos. Ele apontou que empresas de e-commerce, por exemplo, utilizam IA para aprimorar a eficiência de suas entregas e antecipar demandas, o que, por sua vez, impacta diretamente a logística e a necessidade de infraestruturas de armazenamento mais próximas aos centros urbanos. Essa dinâmica tem alterado a paisagem das cidades e impulsionado novos modelos operacionais. A CBRE, inclusive, desenvolveu uma ferramenta própria de IA, em colaboração com outras companhias, com o objetivo de auxiliar na projeção do "escritório do futuro", oferecendo previsibilidade e novas abordagens para o espaço de trabalho.
A visão de Simone Sancho complementa essa perspectiva ao enfatizar que a tecnologia, por si só, não garante o sucesso. O foco deve estar na resolução de problemas. Em vez de se perder em um mar de novas ferramentas e funcionalidades, é preciso ter um diagnóstico preciso das necessidades e objetivos. Seja para otimizar processos internos, melhorar a experiência do cliente ou desenvolver novos produtos e serviços, a IA deve ser uma aliada estratégica, direcionada por um propósito claro. Ignorar essa premissa pode levar a investimentos em tecnologias que não entregam o retorno esperado, gerando frustração e desperdício de recursos.
A preocupação com o uso superficial da IA não se limita ao ambiente corporativo. Em um mundo cada vez mais conectado, a tecnologia também levanta questões éticas e sociais complexas. Casos como o resgate de uma menina de 10 anos traficada do Peru para o Equador para se casar com um homem de 50 anos, noticiado pela BBC News Brasil, demonstram a urgência de se abordar as vulnerabilidades humanas em um contexto globalizado. Embora este caso específico não esteja diretamente ligado à IA, ele serve como um lembrete da importância de se manter um olhar crítico sobre as aplicações tecnológicas e seus impactos na sociedade. A IA, se mal utilizada ou sem a devida supervisão ética, poderia, em cenários hipotéticos, ser empregada para fins ilícitos ou para explorar fragilidades.
A inteligência artificial tem o potencial de revolucionar a forma como vivemos e trabalhamos, mas sua implementação bem-sucedida exige mais do que a simples adoção de novas ferramentas. É crucial um entendimento profundo dos problemas que se deseja resolver e uma estratégia clara para a aplicação da tecnologia. Simone Sancho, da Belong Be, acerta ao destacar que a vantagem competitiva não está em usar IA, mas em saber o que se quer resolver com ela. Essa abordagem focada em objetivos e na resolução de problemas é o que permitirá que empresas e indivíduos colham os frutos da inovação de forma sustentável e ética, evitando o uso raso e preocupante da tecnologia. O futuro da IA, portanto, depende não apenas de seu avanço técnico, mas da sabedoria humana em direcioná-la para o bem comum e para a solução de desafios reais.