Honey Deuce: quando uma bebida vira marca do US Open
O US Open não é apenas um torneio de tênis, é um espetáculo cultural, onde moda, música, celebridades e experiências se encontram. Entre os elementos que ajudaram a transformar esse evento em algo maior que o esporte está um coquetel: o Honey Deuce.
Honey Deuce
Criado em 2007 pela Grey Goose, o drink mistura vodka, limonada e licor de framboesa, decorado com bolinhas de melão que remetem às bolas de tênis. A fórmula é simples, mas o impacto é gigante. Em 2024, foram vendidos mais de 556 mil copos, gerando US$ 10 milhões em receita.
Marketing além do copo
O Honey Deuce não é só uma bebida refrescante. Ele virou um ícone do torneio. Assim como o Pimm’s em Wimbledon ou o Mint Julep no Kentucky Derby, o US Open agora tem um “símbolo líquido” que o público deseja consumir, postar e compartilhar.
Essa é a genialidade: a Grey Goose não criou apenas um coquetel, criou um ritual de pertencimento. Quem segura o copo rosa com melões no topo não está apenas bebendo, está participando do espetáculo. É status, é cultura, é uma memória do US Open.
A lógica de branding por trás
O que a Grey Goose fez foi conectar sua marca a uma experiência cultural de prestígio. Não se trata de vender vodka. Trata-se de ancorar sua identidade em um território aspiracional: esporte, luxo acessível e lifestyle nova-iorquino.
Mais do que o produto, a estratégia está no contexto:
• Tornar o Honey Deuce indispensável para a experiência do US Open.
• Criar exclusividade geográfica: você só vive esse ritual de verdade dentro do torneio (ou em lugares que ecoam Nova York).
• Gerar conteúdo espontâneo: cada copo virou um post nas redes sociais, multiplicando a presença da marca sem mídia tradicional
A nova arena do US Open
O torneio, antes centrado apenas em atletas e quadras, hoje é uma plataforma de entretenimento. A entrada de marcas como Aperol, Moët & Chandon, Lavazza e Dobel Tequila reforça essa transição: o US Open virou um festival social, não só esportivo.
O Honey Deuce abriu a porta. Ele provou que uma bebida pode virar um símbolo cultural de consumo, e que, às vezes, o maior legado de uma marca em um evento não é o logotipo estampado na quadra, mas o copo na mão do público.
Quando você consegue transformar produto em experiência ritualizada, você não vende. Você conquista.
Escrito por Marcela Rezende, colunista e parceira da Not Journal, que trará conteúdos sobre marketing, branding e lifestyle.