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Hermès em alta, LVMH em crise: o império de luxo vive sua maior turbulência em anos

O império de Bernard Arnault, que há poucos anos liderava o ranking das empresas mais valiosas da Europa, agora enfrenta uma tempestade sem precedentes.

Bruno Richards • • 2 min de leitura
Hermès ganha mercado enquanto LVMH tropeça com excesso, hype e branding confuso

Hermès ganha mercado enquanto LVMH tropeça com excesso, hype e branding confuso

O império de Bernard Arnault, que há poucos anos liderava o ranking das empresas mais valiosas da Europa, agora enfrenta uma tempestade sem precedentes. Desde 2023, o grupo LVMH já perdeu mais de €221 bilhões em valor de mercado. A fortuna pessoal de Arnault também derreteu: US$81 bilhões evaporaram em pouco mais de um ano.

Enquanto isso, sua maior rival, a Hermès, segue em trajetória oposta — discreta, estável e valorizada. O mercado assiste a um raro plot twist no universo do luxo: Hermès supera expectativas e ganha força como a nova favorita dos investidores.

#As causas da queda da LVMH

A queda da LVMH é multifatorial. O grupo, que administra mais de 75 marcas, sofre com:

  • Desaceleração da demanda na China e nos Estados Unidos

  • Crescimento estagnado na Dior, uma das joias da coroa do conglomerado

  • Moët Hennessy afetada por retração no consumo de bebidas de luxo

  • Críticas crescentes ao posicionamento da Louis Vuitton, acusada de perder clareza e sofisticação no branding

Além disso, o excesso de marcas sob o guarda-chuva da LVMH — muitas com resultados medianos — tem levado analistas e acionistas a pedir uma espécie de “limpeza de primavera”, racionalizando o portfólio e apostando em marcas mais sólidas.

#A ascensão silenciosa da Hermès

Na contramão, a Hermès manteve sua postura quase monástica: menos collabs, menos campanhas virais, foco em excelência, escassez e herança artesanal. Resultado? A marca se valorizou, entregou margens altas e conquistou a confiança do mercado.

Para analistas de luxo, a Hermès é hoje o que a Apple foi para a tecnologia: um exemplo de “fazer menos, mas melhor”— resistindo à tentação do hype, mantendo preços altos e produção limitada.

#O futuro do luxo

A era do “crescimento a qualquer custo” pode estar com os dias contados no setor de luxo. O novo código parece ser outro: exclusividade, consistência e foco em identidade.

E talvez o mundo esteja cansado de logomania.

Talvez seja a vez do silêncio elegante falar mais alto que o barulho do branding.

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