Guerra no Oriente Médio restringe oferta de diesel no RS
Conflitos globais elevam preços e limitam acesso ao combustível essencial para o plantio da safra gaúcha.
Foto: Reprodução
Agricultores do Rio Grande do Sul enfrentam dificuldades para comprar óleo diesel às vésperas do plantio da safra de verão. O problema, caracterizado por restrição de volume e preços elevados, é reflexo direto dos conflitos no Oriente Médio, que pressionam as cotações internacionais do combustível.
De acordo com a Sulpetro, entidade que representa os postos de combustíveis na região, não há um desabastecimento total no estado. O presidente da organização, Fabrício Severo Braz, explica que a redução das importações deixou os estoques nacionais no limite do consumo. "Não existe uma escassez, existe uma restrição. Não é falta de produto, é restrição e com preços elevados", afirmou.
A situação é agravada pela dependência externa do Brasil, que importa cerca de 30% do diesel consumido internamente. Além do cenário global, a demanda local aumentou devido à migração de compradores de outros estados para a região Sul em busca de preços mais competitivos. Relatos de produtores rurais, como Arcênio Dupont, de Santa Cruz do Sul, ilustram o impacto: ele conseguiu adquirir apenas 1.000 litros de diesel, metade do volume habitual de 2.000 litros. O empresário do setor de postos Antônio Palharin também relatou ter recebido apenas 50% do combustível encomendado.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) declarou que não há risco de desabastecimento no Rio Grande do Sul ou no restante do país, mas informou que intensificou o monitoramento dos estoques e da distribuição. Para tentar conter a alta dos preços e preservar a oferta, o governo federal anunciou, em 9 de outubro de 2026, um subsídio adicional de R$ 1,40 por litro de diesel importado, que se soma a um subsídio anterior de R$ 2,12.
O mercado global de diesel permanece sob forte tensão devido aos conflitos no Oriente Médio e a restrições na produção de países como a Rússia. Esse cenário levou a Agência Internacional de Energia (AIE) a acelerar a liberação de estoques emergenciais. No âmbito estadual, há divergências sobre a origem do problema: enquanto a Sulpetro aponta para a restrição de importações e alta demanda externa, o Sindipetro-RS sustentou anteriormente que a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) produz volume suficiente para o estado, sugerindo que a dificuldade estaria atrelada à política de cotas das distribuidoras.
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