Green card sem fila favorece brasileiros já nos EUA e muda a estratégia de imigração
O sistema de green cards por trabalho nos Estados Unidos vive um momento incomum, com categorias como EB 2 NIW e parte do EB 3 sem fila.
Fabiano Rocha, fundador e CEO da Jumpstart.
O sistema de green cards por trabalho nos Estados Unidos vive um momento incomum. Categorias historicamente concorridas, como EB-2 NIW e parte do EB-3, estão “current”, ou seja, sem fila. O cenário tem favorecido especialmente brasileiros, que se destacam entre as nacionalidades com maior número de aprovações em vistos por mérito, como EB-1A e EB-2 NIW, nos últimos anos.
Apesar da percepção de maior rapidez, a mudança não está ligada a um sistema mais eficiente, mas sim à redistribuição dos vistos. A cota anual de cerca de 140 mil green cards por trabalho, definida pelo Congresso, precisa ser integralmente utilizada a cada ano fiscal, independentemente do canal de processamento.
Tradicionalmente, essa distribuição ocorre por dois caminhos: o processamento consular, para candidatos fora dos Estados Unidos, e o ajuste de status, para quem já está no país. No entanto, restrições recentes reduziram significativamente o processamento consular em diversos países, incluindo o Brasil, deixando uma parcela relevante dessas vagas ociosa no exterior.
Com isso, o sistema passou a concentrar a emissão de green cards em candidatos já presentes nos EUA. Esse movimento impulsionou a abertura de categorias no Visa Bulletin e ampliou o acesso ao green card por meio do ajuste de status, beneficiando profissionais que já possuem vistos temporários como O-1, E-2, L-1 e H-1B.
Nesse contexto, a Jumpstart, startup especializada em imigração, atua estruturando estratégias para profissionais e empreendedores entrarem legalmente nos Estados Unidos por meio desses vistos, permitindo posteriormente a solicitação do green card sem sair do país.
Segundo Fabiano Rocha, CEO da Jumpstart, o momento representa uma mudança estratégica relevante. “Não é um sistema mais rápido, mas um sistema com oferta concentrada em um único canal. Isso muda completamente a forma de planejar a imigração”, afirma.
O perfil mais beneficiado é o de profissionais altamente qualificados e empreendedores, que conseguem acessar vias mais rápidas de entrada nos EUA. Em muitos casos, é possível obter um visto em poucos meses e, já em território americano, aproveitar a janela atual para solicitar a residência permanente.
Por outro lado, candidatos que dependem do processamento consular, como em casos de reunião familiar, tendem a ser os mais prejudicados. Essas categorias já operavam com filas mais longas e, com a redução das operações consulares, enfrentam ainda mais dificuldades.
Diante desse cenário, especialistas apontam uma mudança clara de estratégia: em vez de iniciar o processo do Brasil, cresce a recomendação de primeiro garantir presença legal nos Estados Unidos e, a partir daí, solicitar o green card por ajuste de status.
Segundo Rocha, a oportunidade existe, mas pode ser temporária. “Qualquer retomada do processamento consular ou aumento da demanda pode reequilibrar o sistema e trazer as filas de volta”, explica.
Embora não seja um cenário permanente, a atual configuração abre uma janela estratégica para brasileiros que desejam acelerar o caminho para a residência permanente nos Estados Unidos.