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Galeria Nara Roesler celebra quase 40 anos como uma das maiores do país

A Galeria Nara Roesler, fundada em São Paulo em 1989, consolidou-se como um dos principais espaços de arte contemporânea do país.

André Farias 18 Oct 2025
Nara Roesler

Nara Roesler

Nascida em Pernambuco, Nara Roesler começou sua trajetória no universo da arte aos 27 anos, no Recife, e mudou-se para São Paulo aos 36. À frente da galeria que leva seu nome, coordena uma equipe com mais de 70 profissionais e representa cerca de 50 artistas, brasileiros e estrangeiros, incluindo tanto nomes consagrados no cenário internacional quanto artistas já estabelecidos no circuito nacional.

Ela compartilha a gestão da galeria com seus filhos mais velhos, Alexandre e Daniel Roesler, e com Fabiola Ceni, e segue introduzindo inovações e novos projetos. Sua primeira galeria, a Gatsby Arte, foi inaugurada em Recife, em outubro de 1976, com a exposição “O desenho em Pernambuco”, que contou com obras de José Cláudio (1932-2023). Dez anos depois, mudou-se para São Paulo, onde fundou a galeria que leva seu nome em 1989, ampliando o espaço em 2012 ao incorporar a casa vizinha no Jardim Europa. Em 2014, abriu uma unidade no Rio de Janeiro e, no ano seguinte, tornou-se a primeira galeria brasileira a estabelecer-se em Nova York, inicialmente no Upper East Side e, desde 2021, no bairro do Chelsea, conhecido por abrigar importantes galerias internacionais.

“Com a mudança para o Chelsea, a galeria em Nova York passou a responder por quase 40% do nosso faturamento. No início, 80% das vendas eram para brasileiros com residência no exterior. Hoje, 80% das vendas são para americanos e colecionadores internacionais”, comenta Nara.

A galeria também marca presença em grandes feiras internacionais, como Art Basel, TEFAF, Armory, Expo Chicago e Frieze, além de eventos no Brasil, incluindo SP-Arte, ArtRio e a recente Art.PE. Nesta edição da Frieze, em Londres (15 a 19 de outubro), serão exibidos trabalhos de Alberto Pitta, um dos destaques da Bienal de São Paulo.

Ao longo de quase cinco décadas, Nara Roesler acompanhou trajetórias de artistas como Amélia Toledo (1926-2017), Tomie Ohtake (1913-2015), Artur Lescher (1962), Carlito Carvalhosa (1961-2021), Daniel Senise (1955), Lucia Koch (1966), Rodolpho Parigi (1977) e Vik Muniz (1961), entre outros, reconhecendo suas contribuições para a projeção da arte brasileira no exterior.

A galeria também representa nomes consagrados da arte internacional, como Julio Le Parc (1928), Daniel Buren (1938), Dan Graham (1942-2022), Isaac Julien (1960), JR (1983), Not Vital (1948) e Heinz Mack (1931). Entre seus artistas brasileiros, há representantes de diferentes gerações e linguagens, incluindo Abraham Palatnik (1928-2020), Antonio Dias (1944-2018), Sérgio Sister (1948), André Griffo (1979), Jonathas de Andrade (1982), Bruno Dunley (1984), Manoela Medeiros (1991) e Asuka Anastacia Ogawa (1988), além de nomes pernambucanos como Paulo Bruscky (1949), José Patrício (1960) e Marcelo Silveira (1962), entre outros.

Desde 2019, o diretor artístico da galeria é o venezuelano Luis Pérez-Oramas, que vive em Nova York, onde foi curador da coleção de arte latino-americana do MoMA e da coleção da venezuelana Patricia Phelps de Cisneros, além de ter coordenado a 30ª Bienal de São Paulo, em 2012. Ele atua junto ao Núcleo Curatorial Nara Roesler, baseado na galeria de São Paulo.

Em novembro, a unidade de Nova York apresentará obras de Elian Almeida (1994) e Alberto Pitta (1961), ambos artistas negros que exploram diferentes abordagens sobre heranças afro-brasileiras, enquanto a galeria em São Paulo exibirá o projeto “Do Vento”, com esculturas de Xavier Veilhan produzidas a bordo de um catamarã, e também a primeira individual de Maria Klabin (1978) na sede paulista.

Na unidade do Rio de Janeiro, será inaugurada, em 23 de outubro, a exposição individual de Jaime Lauriano (1985), que já expôs individualmente em Nova York e terá, em 2026, sua primeira mostra solo em São Paulo. Durante a exposição, será lançada a primeira monografia dedicada ao artista, publicada pela Nara Roesler Books.

Nara Roesler Books
Em 2011, Nara Roesler criou a Associação para o Patronato Contemporâneo (APC), voltada à produção editorial de livros que fomentassem a reflexão sobre a arte contemporânea brasileira. Em 2021, a iniciativa passou a se chamar Nara Roesler Books, com direção de Luiz Vieira e curadoria de Luis Pérez-Oramas, e já publicou mais de 20 títulos distribuídos em bibliotecas, escolas, museus e livrarias no Brasil. O projeto busca atingir diferentes públicos e apresentar uma perspectiva internacional sobre a produção artística brasileira.

Infância e influência familiar
Neta de João Alfredo Gonçalves da Costa Lima (1898-1971), reitor da antiga Universidade do Recife e diretor da Escola de Belas Artes local, Nara cresceu cercada pela arte. Filha de Marta Lima (1927-2021) e Ivo Roesler (1923-1990), ambos colecionadores, vivenciou um ambiente de encontros com artistas, poetas e intelectuais. Formada em psicologia pela Universidade Católica de Pernambuco, ela começou a se aproximar do universo artístico ao abrir uma loja de design e, posteriormente, pelo contato com José Cláudio, que despertou seu interesse em ser galerista.

Nara teve cinco filhos com o arquiteto Alexandre Castro e Silva, falecido em 1998. Seus dois filhos mais velhos seguem à frente da galeria, garantindo a continuidade do legado familiar no mundo da arte.


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