Galeria Nara Roesler celebra quase 40 anos como uma das maiores do país
A Galeria Nara Roesler, fundada em São Paulo em 1989, consolidou-se como um dos principais espaços de arte contemporânea do país.
Nara Roesler
Nascida em Pernambuco, Nara Roesler começou sua trajetória no universo da arte aos 27 anos, no Recife, e mudou-se para São Paulo aos 36. À frente da galeria que leva seu nome, coordena uma equipe com mais de 70 profissionais e representa cerca de 50 artistas, brasileiros e estrangeiros, incluindo tanto nomes consagrados no cenário internacional quanto artistas já estabelecidos no circuito nacional.
Ela compartilha a gestão da galeria com seus filhos mais velhos, Alexandre e Daniel Roesler, e com Fabiola Ceni, e segue introduzindo inovações e novos projetos. Sua primeira galeria, a Gatsby Arte, foi inaugurada em Recife, em outubro de 1976, com a exposição “O desenho em Pernambuco”, que contou com obras de José Cláudio (1932-2023). Dez anos depois, mudou-se para São Paulo, onde fundou a galeria que leva seu nome em 1989, ampliando o espaço em 2012 ao incorporar a casa vizinha no Jardim Europa. Em 2014, abriu uma unidade no Rio de Janeiro e, no ano seguinte, tornou-se a primeira galeria brasileira a estabelecer-se em Nova York, inicialmente no Upper East Side e, desde 2021, no bairro do Chelsea, conhecido por abrigar importantes galerias internacionais.
“Com a mudança para o Chelsea, a galeria em Nova York passou a responder por quase 40% do nosso faturamento. No início, 80% das vendas eram para brasileiros com residência no exterior. Hoje, 80% das vendas são para americanos e colecionadores internacionais”, comenta Nara.
A galeria também marca presença em grandes feiras internacionais, como Art Basel, TEFAF, Armory, Expo Chicago e Frieze, além de eventos no Brasil, incluindo SP-Arte, ArtRio e a recente Art.PE. Nesta edição da Frieze, em Londres (15 a 19 de outubro), serão exibidos trabalhos de Alberto Pitta, um dos destaques da Bienal de São Paulo.
Ao longo de quase cinco décadas, Nara Roesler acompanhou trajetórias de artistas como Amélia Toledo (1926-2017), Tomie Ohtake (1913-2015), Artur Lescher (1962), Carlito Carvalhosa (1961-2021), Daniel Senise (1955), Lucia Koch (1966), Rodolpho Parigi (1977) e Vik Muniz (1961), entre outros, reconhecendo suas contribuições para a projeção da arte brasileira no exterior.
A galeria também representa nomes consagrados da arte internacional, como Julio Le Parc (1928), Daniel Buren (1938), Dan Graham (1942-2022), Isaac Julien (1960), JR (1983), Not Vital (1948) e Heinz Mack (1931). Entre seus artistas brasileiros, há representantes de diferentes gerações e linguagens, incluindo Abraham Palatnik (1928-2020), Antonio Dias (1944-2018), Sérgio Sister (1948), André Griffo (1979), Jonathas de Andrade (1982), Bruno Dunley (1984), Manoela Medeiros (1991) e Asuka Anastacia Ogawa (1988), além de nomes pernambucanos como Paulo Bruscky (1949), José Patrício (1960) e Marcelo Silveira (1962), entre outros.
Desde 2019, o diretor artístico da galeria é o venezuelano Luis Pérez-Oramas, que vive em Nova York, onde foi curador da coleção de arte latino-americana do MoMA e da coleção da venezuelana Patricia Phelps de Cisneros, além de ter coordenado a 30ª Bienal de São Paulo, em 2012. Ele atua junto ao Núcleo Curatorial Nara Roesler, baseado na galeria de São Paulo.
Em novembro, a unidade de Nova York apresentará obras de Elian Almeida (1994) e Alberto Pitta (1961), ambos artistas negros que exploram diferentes abordagens sobre heranças afro-brasileiras, enquanto a galeria em São Paulo exibirá o projeto “Do Vento”, com esculturas de Xavier Veilhan produzidas a bordo de um catamarã, e também a primeira individual de Maria Klabin (1978) na sede paulista.
Na unidade do Rio de Janeiro, será inaugurada, em 23 de outubro, a exposição individual de Jaime Lauriano (1985), que já expôs individualmente em Nova York e terá, em 2026, sua primeira mostra solo em São Paulo. Durante a exposição, será lançada a primeira monografia dedicada ao artista, publicada pela Nara Roesler Books.
Nara Roesler Books
Em 2011, Nara Roesler criou a Associação para o Patronato Contemporâneo (APC), voltada à produção editorial de livros que fomentassem a reflexão sobre a arte contemporânea brasileira. Em 2021, a iniciativa passou a se chamar Nara Roesler Books, com direção de Luiz Vieira e curadoria de Luis Pérez-Oramas, e já publicou mais de 20 títulos distribuídos em bibliotecas, escolas, museus e livrarias no Brasil. O projeto busca atingir diferentes públicos e apresentar uma perspectiva internacional sobre a produção artística brasileira.
Infância e influência familiar
Neta de João Alfredo Gonçalves da Costa Lima (1898-1971), reitor da antiga Universidade do Recife e diretor da Escola de Belas Artes local, Nara cresceu cercada pela arte. Filha de Marta Lima (1927-2021) e Ivo Roesler (1923-1990), ambos colecionadores, vivenciou um ambiente de encontros com artistas, poetas e intelectuais. Formada em psicologia pela Universidade Católica de Pernambuco, ela começou a se aproximar do universo artístico ao abrir uma loja de design e, posteriormente, pelo contato com José Cláudio, que despertou seu interesse em ser galerista.
Nara teve cinco filhos com o arquiteto Alexandre Castro e Silva, falecido em 1998. Seus dois filhos mais velhos seguem à frente da galeria, garantindo a continuidade do legado familiar no mundo da arte.