FMI e Banco Mundial encerram cúpula sem plano para emergentes
Encontro em Bangcoc expõe fragilidades fiscais e econômicas de nações em desenvolvimento, sem soluções imediatas à vista.
(Reprodução/Investing BR Economia)
Encontro anual de 2026 em Bangcoc termina com foco em dívidas crescentes e desaceleração econômica, mas sem medidas estruturais imediatas para nações em desenvolvimento.
As Reuniões Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, encerradas no domingo (18) em Bangcoc, na Tailândia, terminaram sem apresentar soluções concretas para os desafios das economias emergentes. O evento foi marcado por debates sobre o impacto de conflitos geopolíticos, como as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, e a pressão da inflação global, projetada em 4,7% para este ano.
Um dos principais pontos de alerta foi o endividamento. Na última década, o serviço da dívida dos países em desenvolvimento mais que dobrou, consumindo atualmente uma média de 14% da arrecadação governamental. Além disso, o cenário econômico aponta para uma desaceleração nessas regiões, com a projeção de crescimento caindo de 4,5% em 2025 para 3,7% em 2026, enquanto a média global deve ficar em 3,1%.
O encontro também destacou o fenômeno do crescimento redistribuído, no qual os benefícios econômicos, especialmente os impulsionados pela Inteligência Artificial (IA), concentram-se em poucas nações, como Estados Unidos e China. A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, classificou o avanço da IA como um tsunami em câmera lenta e ressaltou a incerteza do cenário atual, afirmando que há muito mais perguntas do que respostas.
Sem o anúncio de novas medidas estruturais, as instituições mantiveram a recomendação de ajustes fiscais e atração de investimentos privados. O Banco Mundial, presidido por Ajay Banga, informou que segue em negociação com 30 a 40 países para a liberação de pacotes de ajuda emergencial. Para analistas como Josh Lipsky, do Atlantic Council, a dificuldade em auxiliar o mundo em desenvolvimento esbarra no fato de que as próprias economias avançadas enfrentam riscos de crise fiscal.
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