Fintechs vivem nova fase: da disrupção à consolidação
Setor financeiro digital se ajusta a novas regras e consolidação, buscando manter o impacto positivo na economia e nos consumidores.
Foto: Reprodução
Após anos de crescimento acelerado e transformação do sistema financeiro, as fintechs no Brasil entram em uma fase de maturidade, marcada por novos desafios regulatórios e pela necessidade de consolidação no mercado.
O impacto dessas instituições financeiras digitais na economia brasileira é expressivo. Um levantamento recente da Reglab, encomendado pela Zetta, aponta que a concorrência impulsionada pelas fintechs gerou uma economia de R$ 149 bilhões para os consumidores desde 2016, considerando a redução de juros e tarifas bancárias. Além disso, a expansão do setor teria adicionado R$ 1,6 trilhão ao Produto Interno Bruto (PIB) do país em uma década.
Apesar dos números robustos, o cenário atual exige adaptação. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sob a presidência de Otto Lobo, sinaliza um aperto na supervisão, com foco no uso de inteligência artificial e na regulamentação de ativos digitais. O objetivo da autarquia é fortalecer a fiscalização e combater a lavagem de dinheiro, o que impõe novas exigências de conformidade para as empresas de tecnologia financeira.
No âmbito da representatividade, o setor também enfrenta mudanças. A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) alterou sua estrutura de governança, o que gerou preocupação entre credenciadoras independentes, como Stone, PagBank e Mercado Pago. Executivos do mercado temem que a nova dinâmica reduza o poder de decisão dessas empresas, potencialmente fortalecendo outras associações representativas.
Esse conjunto de fatores indica que a era da disrupção irrestrita está dando lugar a um ambiente mais regulado e competitivo. As fintechs, que antes focavam primordialmente na expansão da base de clientes, agora precisam equilibrar inovação com rentabilidade sustentável e conformidade regulatória, consolidando seu papel em um sistema financeiro cada vez mais maduro.