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Fintechs: interesse em abrir novas empresas esfria no Brasil

Menos fintechs buscam aval do BC, indicando possível mudança no mercado financeiro digital brasileiro.

Not Journal 26 May 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Queda acentuada no número de pedidos de novas fintechs ao Banco Central indica possível mudança no cenário do setor.

O ritmo de abertura de novas fintechs no Brasil parece estar perdendo fôlego. Dados recentes indicam uma queda expressiva no número de pedidos de autorização para operar, levantando questões sobre o futuro do mercado financeiro digital no país.

Se antes o Banco Central (BC) recebia uma média de 15 solicitações por mês, esse número despencou para apenas dois, segundo informações apuradas pelo Finsiders Brasil. A retração pode ser reflexo de diversos fatores, desde um ambiente regulatório mais rigoroso até uma consolidação natural do mercado, com menos espaço para novos entrantes.

O cenário regulatório tem se mostrado um desafio constante para as fintechs. Recentemente, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, manifestou surpresa com críticas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que ampliaria a atuação e os recursos do BC, vindas da própria equipe econômica do governo. Essa PEC, consolidada pela Advocacia-Geral da União (AGU) a partir de texto elaborado pela equipe econômica, demonstra a complexidade e, por vezes, as contradições no ambiente regulatório que as fintechs enfrentam.

Outro ponto de atenção é a crescente preocupação com a concentração de mercado. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou que a B3, a bolsa de valores brasileira, desista da aquisição de 60% da Central de Registro de Direitos Creditórios (CRDC). O Cade argumenta que a operação eliminaria um concorrente, criaria vantagens inorgânicas e aumentaria o risco de condutas anticompetitivas. Essa decisão demonstra a vigilância das autoridades em relação a movimentos que possam prejudicar a concorrência e a inovação no setor financeiro.

Apesar da diminuição no número de novas fintechs, aquelas que já estão estabelecidas no mercado têm apresentado resultados positivos. Um relatório recente do Banco Central apontou que bancos digitais e fintechs registraram o maior aumento de rentabilidade entre todos os segmentos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) no segundo semestre de 2025. Ao mesmo tempo, essas instituições foram as que mais elevaram as provisões para perdas, indicando uma postura mais conservadora em relação ao risco de crédito.

Essa combinação de alta rentabilidade e aumento das provisões sugere que as fintechs estão buscando um crescimento sustentável, priorizando a solidez financeira em detrimento de uma expansão acelerada a qualquer custo. A maior rentabilidade por cliente, em comparação com outros segmentos do SFN, demonstra a capacidade das fintechs de oferecer serviços mais eficientes e personalizados, atraindo e fidelizando seus clientes.

A queda no número de pedidos de novas fintechs pode ser interpretada como um sinal de amadurecimento do mercado. Com um ambiente regulatório mais claro e a consolidação de grandes players, o espaço para novos entrantes se torna mais restrito. No entanto, a inovação continua sendo um motor importante do setor, e as fintechs que conseguirem se diferenciar e oferecer soluções inovadoras ainda terão espaço para crescer e prosperar.

O futuro do mercado de fintechs no Brasil dependerá da capacidade das empresas de se adaptarem às mudanças regulatórias, de manterem a rentabilidade e de continuarem inovando para atender às necessidades dos clientes. A competição acirrada e a crescente exigência dos consumidores exigirão que as fintechs invistam em tecnologia, segurança e experiência do cliente para se destacarem em um mercado cada vez mais competitivo. A tendência é que o mercado se torne mais seletivo, com espaço para empresas sólidas e inovadoras que consigam gerar valor para seus clientes e para a sociedade.

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