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Fast Food cresce 700% em duas décadas e redefine a experiência do consumidor

Segundo o mais recente estudo da Kantar BrandZ, as 10 maiores marcas do setor de fast food valem juntas US$ 408,1 bilhões em 2025, um avanço de 4% em relação ao ano anterior.

Marcela Rezende 05 Sep 2025
Fast Food

Fast Food

O mais impressionante, porém, é o crescimento de 700% em duas décadas (desde 2006), a maior valorização entre todas as categorias analisadas continuamente pela consultoria.

A Kantar atribui essa trajetória a dois fatores centrais: globalização e percepção de valor, aqui entendido não como preço baixo, mas como valor transmitido aos consumidores. Historicamente, o setor viveu a chamada “Guerra do Dólar” nos anos 2000, uma espiral de preços baixos que esvaziou margens e diferenciação das marcas, mas que foi revertida com estratégias mais inteligentes durante e após a Grande Recessão.

Marcas como o McDonald’s criaram o conceito McCafé, elevando o patamar de qualidade e disputando relevância com cafeterias premium. A expansão global (como nas unidades na China) também trouxe volume e possibilidade de cobrar mais por oferta ocidental, algo que exigiu ajustes posteriores diante da concorrência local.

Outro ponto decisivo foi a adaptação ao movimento “fast casual” e à digitalização acelerada pela pandemia: cardápios mais enxutos, foco em delivery, drive-thru, aplicativos, sustentabilidade e entrega de conveniência com valor, não apenas preço baixo.


O que isso me faz pensar

Construção de valor é resiliência

É na dificuldade que as marcas mostram sua força. O fast food transformou crises em oportunidades, reposicionando produtos, programando promoções inteligentes e reposicionando a percepção de valor enquanto preservava margens. Isso é branding adulto: longe de promoções genéricas, a estratégia é oferecer novas narrativas de valor.

Escala global como alavanca, mas com senso local

Expansão gera valor, mas não basta, especialmente quando mercados evoluem. A adaptação local se tornou essencial. O diferencial está em manter uma marca consistente, mas culturalmente adaptada e relevante. A chave está no “franchise mindset”, mas sem perder o propósito.

Digital & lean é o futuro da eficiência

Reduzir cardápios, privilegiar canais digitais e delivery não é só resposta à pandemia, é uma evolução comportamental. Isso aumenta eficiência, margens e satisfação do consumidor. E, não menos relevante, traz dados que alimentam inovação contínua.

Valor acima de preço, o truque do gourmet acessível

Oferecer “valor” virou sinônimo de oferecer experiências que justifiquem um pequeno investimento extra. Isso vem ganhando força em diversos mercados: fast casual, melhor atendimento, storytelling da marca. É o que transforma buyer em advocate.

Meu take estratégico

Para marcas que desejam crescer, seja em fintech, e-commerce ou consumo, o aprendizado é claro: não seja só bom, seja significativo. Isso significa construir valor, não apenas competir por preço.

Em vez de brigar por espaço com quem tem maior escala, inspire relevância. Empatia, eficiência, digitalização e posicionamento claro geram valor e, no fim, patrimônio de marca.

Se fast food conseguiu crescer 700% em 20 anos mantendo relevância, nossa ambição deve ser ainda mais audaciosa, e mais consciente da história que contamos ao consumidor.

Escrito por Marcela Rezende, colunista e parceira da Not Journal, que trará conteúdos sobre marketing, branding e lifestyle.

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