Enquanto a população evita dívidas, investidores usam crédito para enriquecer
Enquanto boa parte da população evita dívidas por medo dos juros altos, um grupo seleto de investidores está fazendo exatamente o contrário: se endividando de propósito.
Com a taxa Selic estabilizada em níveis elevados e a renda fixa pagando mais de 14% ao ano, muitos empresários e investidores de alta renda estão mantendo o dinheiro aplicado e financiando imóveis, usando o crédito como uma ferramenta estratégica de enriquecimento.
Na prática, o raciocínio é simples: em vez de imobilizar o capital próprio na compra de um bem, eles utilizam financiamentos com juros médios de 11% a 12% ao ano — menores do que o retorno que conseguem nos investimentos. O dinheiro que seria usado para comprar o imóvel à vista segue rendendo, enquanto o imóvel se valoriza com o tempo.
Segundo Gaspar Motta, CEO da Bext, essa estratégia não é nova, mas vem ganhando força entre quem entende de alocação de capital.
“Os juros altos assustam quem pensa no crédito apenas como dívida. Mas para quem tem visão estratégica, o crédito é uma alavanca. O financiamento permite preservar o patrimônio líquido e multiplicar o retorno sobre o capital investido”, explica.
Motta destaca que essa mentalidade está se tornando cada vez mais comum entre empresários e investidores que utilizam o crédito imobiliário como ferramenta de gestão patrimonial.
“O empresário inteligente não tira dinheiro do negócio para comprar um imóvel; ele financia, mantém o capital girando e deixa o ativo trabalhar a favor dele. É assim que o crédito deixa de ser um peso e passa a ser um instrumento de crescimento”, afirma.
Apesar da Selic alta, o executivo lembra que o mercado de crédito vive um momento de oportunidades seletivas, especialmente para quem tem perfil sólido e sabe comparar condições entre diferentes instituições.
“Com os bancos disputando bons clientes, há margens para negociar prazos e taxas. Plataformas multibancos, como a da Bext, ajudam o cliente a identificar onde estão as melhores oportunidades sem perder tempo ou pagar caro”, ressalta.
Outro ponto importante é que o cenário atual não é estático. Quando a Selic começar a cair, o investidor que financiou agora poderá migrar o contrato para uma taxa menor através da portabilidade, reduzindo consideravelmente o custo total da operação.
“O crédito imobiliário é dinâmico. Financiar hoje não significa ficar preso a essas taxas para sempre. A portabilidade transforma o que era uma obrigação em uma vantagem futura”, conclui Motta.
Mais do que nunca, o crédito deixou de ser apenas uma necessidade — e passou a ser uma estratégia de quem entende o jogo financeiro. Enquanto uns esperam os juros caírem, outros estão aproveitando o momento para usar o sistema a favor deles — e enriquecer enquanto o país reclama das taxas.