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Eleições 2026: Lula mira emendas; Flávio ataca STF

Disputa presidencial se acirra com ataques de Lula ao Congresso e de Flávio ao STF, em meio à indecisão de eleitores.

Not Journal 11 Aug 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Cenário eleitoral se intensifica com críticas de Lula ao Congresso e ataques de Flávio Bolsonaro ao Judiciário, enquanto pesquisa aponta indecisão de eleitores na reta final.

A corrida presidencial para 2026 entra em nova fase com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevando o tom contra as emendas parlamentares, um mecanismo de distribuição de recursos que, segundo ele, tem sido utilizado para fragilizar o governo. Paralelamente, o senador Flávio Bolsonaro intensifica suas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), em um movimento que busca capitalizar o descontentamento de parte do eleitorado com o Judiciário. Estas movimentações ocorrem em um momento crucial, com pesquisas indicando que uma parcela significativa de eleitores ainda não definiu seu voto, reservando essa decisão para as semanas finais da campanha.

A estratégia de Lula em focar nas emendas parlamentares sugere uma tentativa de deslegitimar o poder de barganha do Congresso Nacional e, ao mesmo tempo, posicionar-se como um defensor da autonomia do Poder Executivo. As emendas, que permitem aos parlamentares destinar verbas para projetos em suas bases eleitorais, são frequentemente vistas como ferramentas de negociação política, mas também são alvo de críticas por potenciais distorções na alocação de recursos e por servirem como moeda de troca para apoio governamental. Ao criticar o sistema, o ex-presidente busca atrair eleitores que anseiam por uma gestão mais centralizada e menos dependente de acordos com o Legislativo.

Por outro lado, as investidas de Flávio Bolsonaro contra o STF parecem mirar um eleitorado que se sente prejudicado por decisões judiciais ou que desconfia da atuação do Judiciário. Em um cenário político polarizado, o ataque a instituições vistas como distantes ou intervencionistas pode ressoar com segmentos da população que buscam um discurso mais direto e confrontador. Essa tática, comum em campanhas que visam mobilizar bases mais radicais, pode também ter o objetivo de atrair eleitores de centro que se mostram insatisfeitos com a atual conjuntura política e jurídica.

A dinâmica eleitoral de 2026 se mostra particularmente fluida, como aponta uma pesquisa Genial/Quaest divulgada recentemente. O levantamento revela que 20% dos eleitores brasileiros decidem seu voto para presidente apenas na última semana antes da eleição. Este percentual é ainda maior quando se trata da escolha de senadores, com 32% dos eleitores definindo seu voto na reta final e 14% apenas no dia da votação. Em contrapartida, 58% dos eleitores já têm sua decisão tomada meses antes, um comportamento observado em 69% dos eleitores de Lula e 69% dos eleitores de Bolsonaro em eleições anteriores, indicando a força de bases eleitorais consolidadas.

A pesquisa, que ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre 31 de julho e 3 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais, sublinha a importância da última semana de campanha para a definição de um contingente considerável de votos. Para os candidatos, isso significa que a capacidade de mobilização e comunicação nas semanas finais pode ser decisiva para reverter cenários ou consolidar vitórias. A estratégia de Lula de atacar as emendas e a de Flávio Bolsonaro de criticar o STF podem ser interpretadas como tentativas de influenciar justamente esse grupo de eleitores indecisos, buscando moldar a percepção pública e conquistar apoio em um momento de alta volatilidade.

O contexto das eleições estaduais também adiciona camadas à disputa nacional. Em São Paulo, por exemplo, a definição dos candidatos ao governo do estado, como Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), entre outros, já está em curso, com as convenções partidárias ocorrendo entre julho e agosto. A disputa por vagas no Senado também se intensifica, com 13 candidatos apresentados até o momento para as duas cadebras paulistas em disputa, cujos mandatos serão de oito anos. A articulação política em nível estadual pode ter reflexos na campanha presidencial, influenciando alianças e o direcionamento do voto em regiões estratégicas.

Diante desse cenário, a campanha de 2026 se desenha como um embate de narrativas e estratégias. Enquanto Lula busca consolidar sua imagem como um líder capaz de enfrentar o poder do Congresso, Flávio Bolsonaro aposta em um discurso de confronto com o Judiciário para mobilizar seu eleitorado. A pesquisa Quaest, ao revelar a importância da última semana para a decisão de voto de uma parcela significativa do eleitorado, reforça a ideia de que a reta final da campanha será determinante para o desfecho da disputa presidencial, com os candidatos buscando maximizar sua influência sobre os eleitores que ainda não definiram seu voto.

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