Economia argentina: inflação cai, mas pobreza e desemprego sobem
Inflação cede, mas ajuste econômico eleva pobreza e desemprego em meio a cenário de incertezas.
O presidente da Argentina, Javier Milei, faz um discurso especial durante a 55ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em 23 de janeiro de 2025 (Reuters)
A economia da Argentina apresenta um cenário de fortes contrastes em outubro de 2026. Se por um lado o governo do presidente Javier Milei conseguiu uma redução expressiva na inflação, por outro, o país enfrenta a deterioração de indicadores sociais e produtivos, com aumento da pobreza e do desemprego.
A inflação, que chegou a 289% em abril de 2024, registrou uma queda acentuada, atingindo 33,5% no acumulado de 12 meses até agosto de 2026. O controle dos preços é apontado como o principal sucesso do plano de choque implementado pela atual gestão, que envolveu corte de gastos públicos e desregulamentação econômica.
No entanto, o custo social das medidas tem sido alto. O índice de pobreza subiu para 32,3% no primeiro semestre de 2026, a primeira alta em dois anos, afetando 9,7 milhões de pessoas nas áreas urbanas pesquisadas pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC). O desemprego também avançou, chegando a 7,9% no mesmo período, um aumento de 0,3 ponto percentual em relação ao primeiro semestre de 2025.
A atividade econômica reflete o impacto do ajuste. O país corre risco de recessão técnica, com queda de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2026 e recuo de 2,9% na atividade em julho. O setor empresarial registrou o fechamento líquido de 31,3 mil empresas empregadoras entre novembro de 2023 e julho de 2026, resultando na extinção de cerca de 245,6 mil postos de trabalho formais.
Apesar dos dados negativos na área produtiva, o presidente Javier Milei defende a política econômica. Durante visita a Nova York em setembro, ele declarou: 'Não vejo nenhum problema com o crescimento econômico do país'. O ministro da Economia, Luis Caputo, segue à frente das negociações para a liberação de cerca de 869 milhões de dólares pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Especialistas apontam que a estabilização tem um preço. Para Paulo Gala, professor de economia da FGV-SP, 'a moeda sobrevalorizada ajuda a controlar a inflação, só que ela detona o setor industrial'. O Centro de Economia Política Argentina (Cepa) ressalta que os empregos formais perdidos estão sendo parcialmente substituídos por atividades desprotegidas.
O cenário econômico argentino também repercutiu na política brasileira, tornando-se tema de discussão no primeiro debate presidencial para o segundo turno das eleições entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na Argentina, os próximos passos incluem a divulgação dos dados oficiais do PIB do terceiro trimestre em dezembro e a discussão de decretos de desregulamentação econômica pelo Congresso.
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