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Dolarização em cuba redefine economia informal da ilha

Not Journal 10 May 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Crescente uso do dólar americano em transações cotidianas transforma o cenário econômico cubano, impulsionado pela crise e pela busca por estabilidade.

A economia informal de Cuba passa por uma transformação significativa impulsionada pela crescente dolarização. Em um cenário de persistente crise econômica, com escassez de produtos básicos e inflação galopante, o dólar americano se consolida como moeda de refúgio e meio de troca preferencial em diversos setores da ilha. Essa tendência, observada com atenção por analistas, redesenha as dinâmicas do comércio e do acesso a bens e serviços, impactando diretamente a vida dos cubanos.

A adoção informal do dólar não é um fenômeno novo, mas sua intensificação nos últimos anos reflete a deterioração do poder de compra do peso cubano e a busca por uma moeda mais estável. A população recorre ao dólar para proteger suas economias da inflação e para realizar transações em mercados informais, onde a oferta de produtos é maior e a variedade mais ampla do que nos estabelecimentos estatais.

O governo cubano, embora mantenha o peso como moeda oficial, tem gradualmente reconhecido a importância do dólar na economia. A abertura de lojas que operam exclusivamente em moeda estrangeira, a permissão para a posse de dólares e a aceitação do dólar em determinados serviços são exemplos dessa flexibilização. No entanto, essa coexistência de moedas gera desigualdades, favorecendo aqueles que têm acesso a dólares, seja por meio de remessas do exterior, turismo ou atividades no setor privado.

A dolarização da economia informal cubana tem diversas consequências. Por um lado, facilita o acesso a produtos e serviços que seriam difíceis de obter em pesos. Por outro, aprofunda a desigualdade social, cria um mercado paralelo com preços mais elevados e dificulta o controle da inflação. A população que depende exclusivamente do peso cubano enfrenta maiores dificuldades para adquirir bens essenciais e serviços, ampliando a vulnerabilidade social.

O impacto da dolarização se estende para além do consumo. Pequenos negócios e empreendedores informais também adotam o dólar como forma de precificar seus produtos e serviços, buscando proteger-se da desvalorização do peso. Essa prática, embora compreensível, contribui para a fragmentação da economia e dificulta a implementação de políticas econômicas eficazes.

A situação econômica de Cuba é complexa, com fatores internos e externos que contribuem para a crise. As sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, a ineficiência do modelo econômico centralizado e os impactos da pandemia de Covid-19 agravaram as dificuldades enfrentadas pela população. Nesse contexto, a dolarização surge como uma resposta espontânea à busca por estabilidade e sobrevivência.

O governo cubano enfrenta o desafio de encontrar um equilíbrio entre a necessidade de atrair investimentos estrangeiros e a proteção da economia nacional. A dolarização, embora possa trazer benefícios a curto prazo, representa um risco para a soberania monetária e para a estabilidade macroeconômica a longo prazo.

A busca por soluções para a crise econômica cubana passa necessariamente pela implementação de reformas estruturais que promovam a diversificação da economia, o aumento da produção e a melhoria da eficiência. É fundamental criar um ambiente de negócios mais favorável, atrair investimentos estrangeiros e fortalecer o setor privado. Ao mesmo tempo, é preciso adotar políticas sociais que protejam os mais vulneráveis e garantam o acesso a bens e serviços essenciais.

O futuro da economia cubana é incerto, mas a dolarização da economia informal é um sintoma claro dos desafios enfrentados pela ilha. A superação da crise exige um esforço conjunto do governo, do setor privado e da sociedade civil, com o objetivo de construir uma economia mais próspera, justa e sustentável. A estabilização da moeda e o fortalecimento do peso cubano são passos essenciais para garantir a autonomia econômica e o bem-estar da população.

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