Dólar recua e fecha abaixo de R$ 5, impulsionado por fatores externos
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Moeda americana cede à pressão de um cenário global complexo, marcado por tensões geopolíticas e reconfiguração de alianças econômicas.
O dólar encerrou o dia de ontem, 18 de maio de 2026, cotado abaixo de R$ 5, revertendo a tendência de alta observada nas últimas semanas. A queda, embora bem-vinda para importadores e para o controle da inflação, reflete um cenário internacional turbulento, com implicações diretas na economia brasileira.
A valorização do real frente ao dólar não decorre exclusivamente de fatores internos. Analistas apontam para uma combinação de eventos globais que influenciaram o mercado cambial. Entre eles, destaca-se a crescente aproximação entre China e Rússia, que tem redefinido o mapa do comércio internacional e desafiado a hegemonia do dólar em algumas transações. A visita de Vladimir Putin à China, coincidindo com o 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável entre os dois países, sinaliza um aprofundamento dessa parceria, com reflexos em diversas áreas, incluindo a financeira.
A dependência da Rússia em relação à China, impulsionada pelas sanções ocidentais e pela guerra na Ucrânia, tem fortalecido o yuan como moeda de troca e reserva, reduzindo a demanda por dólares em algumas operações comerciais. A China se tornou a principal compradora de petróleo, gás e carvão russos, garantindo receitas essenciais para a economia de guerra de Moscou, e empresas chinesas passaram a fornecer bens tecnológicos antes obtidos no Ocidente. Mais de 99% do comércio bilateral entre os dois países já é liquidado em rublos e yuans, diminuindo a necessidade de utilização do dólar.
Além da influência sino-russa, a pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira, que aponta Lula à frente de Flávio Bolsonaro em simulações de segundo turno para as eleições presidenciais de 2026, pode ter contribuído para um certo otimismo no mercado interno, ainda que de forma marginal. A sondagem, realizada após a divulgação de áudios comprometedores envolvendo o senador e um banqueiro, sugere uma possível estabilidade política no horizonte, o que tende a favorecer a entrada de investimentos estrangeiros e, consequentemente, a valorização da moeda nacional.
No entanto, a conjuntura econômica global permanece incerta. A inflação persistente em diversas economias desenvolvidas, a alta dos juros nos Estados Unidos e a possibilidade de novas crises geopolíticas podem reverter a tendência de queda do dólar a qualquer momento. O Banco Central do Brasil, por sua vez, tem monitorado de perto o mercado cambial e sinalizado que poderá intervir, caso necessário, para evitar oscilações bruscas que prejudiquem a economia.
Apesar do alívio momentâneo, especialistas alertam para a necessidade de cautela. A valorização do real pode tornar os produtos brasileiros menos competitivos no mercado internacional, afetando as exportações e o crescimento econômico. Além disso, a dependência excessiva de commodities e a falta de investimentos em infraestrutura e inovação continuam sendo desafios estruturais que limitam o potencial de valorização sustentável da moeda brasileira.
O cenário, portanto, exige uma análise cuidadosa e uma política econômica prudente, capaz de aproveitar os momentos de bonança e mitigar os riscos inerentes a um mundo cada vez mais complexo e interconectado. A queda do dólar abaixo de R$ 5 é um sinal importante, mas não garante a estabilidade futura. O Brasil precisa estar preparado para enfrentar os desafios que se avizinham e construir uma economia mais resiliente e competitiva.