Crise fiscal e tensão social na Europa alarmam mercados
Instabilidade macroeconômica e tensões geopolíticas na Europa elevam preocupação global com dívida e inflação.
(Reprodução/Finance News)
A Europa voltou a ocupar o centro das preocupações dos mercados globais diante de uma crise de instabilidade macroeconômica e institucional. O cenário é marcado por desequilíbrios fiscais, inflação pressionada por custos de energia e tensões geopolíticas, o que tem gerado um impasse político e afetado a precificação de ativos e títulos públicos em toda a região.
Na França, a situação é particularmente crítica. A dívida pública do país atingiu entre 119% e 120% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior patamar desde 1946. O custo de captação soberana subiu, com o rendimento dos títulos de 10 anos superando a marca de 5%. A inflação anual francesa acelerou para 3,1% em setembro, agravando a pressão sobre a economia.
O economista e sócio da Ticker Wealth, Charles Mendlowicz, analisa que o esgotamento estrutural da economia europeia é preocupante. 'A crise da dívida soberana da França ameaça contaminar a região, já está pior que em outros países. E, assim, o custo para rolar essa dívida começa a subir', afirma. Ele destaca ainda que, caso o risco francês aumente, o mercado passará a cobrar mais pela rolagem da dívida.
A instabilidade econômica tem se refletido em tensões sociais. Protestos contra o custo de vida, a perda de poder de compra e a deterioração de serviços públicos têm ocorrido em vários países europeus. Na França, o fim de semana anterior a 23 de outubro foi marcado por confrontos, depredações e cerca de 2.400 prisões. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, enfrenta pressão política para conter a violência e negociar um orçamento restritivo para 2027 em uma Assembleia Nacional fragmentada.
Os indicadores econômicos refletem o pessimismo. A Comissão Europeia divulgou que a confiança dos consumidores na zona euro e na União Europeia recuou pelo segundo mês consecutivo em outubro, atingindo -17,9 pontos e -17,3 pontos, respectivamente. O mercado aguarda agora as estimativas preliminares dos índices PMI de outubro para a indústria e serviços na Europa, que devem fornecer mais clareza sobre o impacto da crise na atividade econômica.
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