Crédito restringe avanço do Move Brasil
Baixo acesso a crédito e burocracia freiam investimento em mobilidade elétrica e uso de verbas do programa.
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Programa de mobilidade urbana, que visa fomentar o uso de veículos elétricos e infraestrutura de recarga, utilizou apenas 7,3% dos recursos disponíveis. Dificuldades no acesso ao financiamento e burocracia são apontadas como entraves.
O programa Move Brasil, iniciativa governamental voltada para a expansão da mobilidade elétrica no país, enfrenta sérios obstáculos para a plena execução de seus objetivos. Dados recentes revelam que, até o momento, apenas 7,3% dos recursos totais destinados ao programa foram efetivamente utilizados. Essa baixa adesão e execução levantam preocupações sobre a capacidade do programa em atingir suas metas de incentivo à adoção de veículos elétricos e ao desenvolvimento de infraestrutura de recarga em larga escala.
A principal barreira identificada para o baixo desempenho do Move Brasil reside nas dificuldades de acesso ao crédito. Empresas e consumidores que desejam investir em veículos elétricos ou em projetos de infraestrutura de recarga esbarram em processos burocráticos complexos e em taxas de juros consideradas elevadas por muitos. A falta de linhas de financiamento mais acessíveis e adaptadas às especificidades do mercado de veículos elétricos tem limitado o alcance do programa, impedindo que um número maior de interessados possa se beneficiar dos incentivos propostos.
O contexto de mercado, embora promissor para a mobilidade elétrica, ainda apresenta desafios para a consolidação. A exemplo do desenvolvimento de novas tecnologias, como os eVTOLs (veículos elétricos de pouso e decolagem vertical), que demandam investimentos robustos e um ambiente regulatório e de infraestrutura adequado. A Eve Air Mobility, por exemplo, tem avançado em testes cruciais para o voo de seus protótipos, como a ativação da hélice traseira em voo, demonstrando o potencial de inovação no setor. No entanto, a viabilização comercial dessas tecnologias e de outras soluções de mobilidade elétrica depende diretamente de um ecossistema financeiro que suporte tais empreendimentos.
A escassez de recursos utilizados pelo Move Brasil também pode ser interpretada sob a ótica da dinâmica econômica e política do país. Em um cenário onde outras áreas demandam atenção e investimento, a priorização de fundos para programas específicos como o Move Brasil pode sofrer variações. A recente pesquisa BTG Pactual/Instituto Nexus, que aponta a divisão do eleitorado em recortes de gênero, religião e região, sugere um país com prioridades multifacetadas, o que pode impactar a alocação de recursos para iniciativas de longo prazo como a transição energética na mobilidade.
Além disso, a complexidade na implementação de políticas públicas de fomento à inovação e à sustentabilidade é um fator recorrente. A experiência do crédito consignado privado, que viu sua carteira crescer significativamente após a flexibilização das regras, demonstra como a desburocratização e a criação de mecanismos financeiros mais eficientes podem impulsionar mercados. No caso do Move Brasil, a simplificação dos processos de acesso ao crédito e a oferta de condições mais vantajosas poderiam destravar um volume considerável de investimentos.
O programa Move Brasil, ao propor um futuro mais sustentável para o transporte, esbarra em um gargalo fundamental: o acesso ao capital. A baixa utilização dos recursos disponíveis é um alerta para a necessidade de revisão das estratégias de implementação, com foco na facilitação do crédito e na desburocratização dos processos. Sem uma abordagem mais assertiva nesse sentido, o potencial transformador da mobilidade elétrica no Brasil corre o risco de permanecer subutilizado, comprometendo metas ambientais e de desenvolvimento econômico. A superação desses entraves é crucial para que o país possa, de fato, avançar em direção a um futuro de transporte mais limpo e eficiente.