Crédito caro prende entregadores em ciclo de dívidas na Argentina
Crédito fácil e juros altos transformam empréstimos para recuperar veículos em ciclo vicioso para entregadores argentinos.
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Trabalhadores de aplicativos em Buenos Aires enfrentam uma armadilha financeira ao recorrerem a empréstimos de alto custo para recuperar motocicletas apreendidas. A facilidade de crédito via fintechs e plataformas digitais tem gerado uma dependência crescente em meio à crise econômica do país.
Quando as autoridades de trânsito apreendem os veículos, os entregadores precisam pagar multas e taxas de liberação para voltar ao trabalho. Sem reservas financeiras, muitos recorrem a empréstimos rápidos oferecidos pelas próprias plataformas ou por carteiras digitais. O setor de crédito via fintechs registrou um salto expressivo na Argentina, passando de cerca de 500 mil para 10 milhões de concessões em sete anos.
A situação reflete um cenário mais amplo de endividamento no país, onde quase 6 milhões de pessoas possuem dívidas atrasadas há mais de 90 dias. Albert Quintero, entregador de 41 anos que ganha em média 70 mil pesos argentinos diários (cerca de US$ 46), exemplifica a vulnerabilidade da categoria, que depende exclusivamente do veículo para gerar renda e acaba refém dos altos juros cobrados pelas instituições financeiras.
O peso dessas obrigações motivou protestos recentes. Em agosto de 2026, trabalhadores se reuniram em frente ao Ministério da Economia, em Buenos Aires, para reivindicar medidas de alívio. Enrique Tobani, um dos participantes da manifestação, resumiu o impacto das facilidades de crédito: "Eles conseguem dinheiro facilmente pelas carteiras digitais, mas não percebem os juros que estão pagando? Todo vizinho, familiar ou trabalhador com quem você conversa está passando pela mesma situação".