Comércio agêntico avança, mas desafios persistem no Brasil
Modelo promissor enfrenta obstáculos regulatórios e tecnológicos para alcançar seu potencial máximo.
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Modelo promissor enfrenta obstáculos regulatórios e tecnológicos para alcançar seu potencial máximo.
O comércio agêntico, modelo que visa expandir o acesso a serviços financeiros por meio de agentes, mostra-se cada vez mais próximo de se tornar uma realidade consolidada no Brasil. No entanto, especialistas apontam que a superação de desafios regulatórios, tecnológicos e de infraestrutura ainda é crucial para o pleno desenvolvimento desse mercado.
A ideia central do comércio agêntico é simples: utilizar estabelecimentos comerciais já existentes, como farmácias, supermercados e lojas de conveniência, como pontos de atendimento para serviços financeiros. Esses agentes, devidamente capacitados e autorizados, podem oferecer serviços como abertura de contas, pagamentos, depósitos, saques e até mesmo a oferta de microcrédito.
O potencial do comércio agêntico é vasto, especialmente em um país com as dimensões do Brasil e com desigualdades no acesso a serviços bancários. Em áreas remotas ou em comunidades de baixa renda, onde agências bancárias tradicionais são escassas, os agentes podem se tornar a principal porta de entrada para o sistema financeiro, promovendo a inclusão e o desenvolvimento econômico.
Apesar do otimismo, a implementação do comércio agêntico enfrenta desafios significativos. Um dos principais é a complexidade regulatória. As normas que regem a atuação dos agentes financeiros são consideradas excessivamente burocráticas e restritivas, dificultando a adesão de pequenos comerciantes e limitando a oferta de serviços. A necessidade de obter diversas licenças e autorizações, além de cumprir exigências de capital e segurança, pode se tornar um obstáculo intransponível para muitos interessados.
Além disso, a infraestrutura tecnológica ainda é um gargalo. Para que o comércio agêntico funcione de forma eficiente e segura, é necessário garantir a conectividade e a disponibilidade de sistemas de pagamento confiáveis. Em muitas regiões do país, a internet ainda é precária e a falta de equipamentos adequados dificulta a realização das transações. A segurança cibernética também é uma preocupação crescente, exigindo investimentos em sistemas de proteção contra fraudes e ataques virtuais.
A capacitação dos agentes é outro ponto crucial. É fundamental que os comerciantes e seus funcionários recebam treinamento adequado para lidar com as operações financeiras, conhecer as normas de compliance e atender os clientes de forma eficiente e cordial. A falta de preparo pode comprometer a qualidade dos serviços e gerar desconfiança por parte dos usuários.
O cenário regulatório, no entanto, mostra sinais de mudança. A recente ordem executiva nos Estados Unidos, determinando que reguladores financeiros federais revisem regras que podem travar a inovação no setor, serve de inspiração para o Brasil. A medida também solicita que o Federal Reserve (Fed) avalie a possibilidade de ampliar o acesso de fintechs e empresas de criptomoedas à sua infraestrutura de pagamentos. Essa tendência global de flexibilização regulatória pode impulsionar o desenvolvimento do comércio agêntico no país.
Eventos como o Fintouch São Paulo 2026, promovido pela Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), demonstram o crescente interesse do mercado em soluções inovadoras para o setor financeiro. A discussão sobre temas como Inteligência Artificial, Open Finance e Pix, que estarão no centro do evento, pode trazer novas perspectivas e oportunidades para o comércio agêntico.
Apesar dos desafios, o futuro do comércio agêntico no Brasil é promissor. Com a simplificação das normas, o investimento em infraestrutura e a capacitação dos agentes, esse modelo tem o potencial de transformar o acesso a serviços financeiros, impulsionando a inclusão e o desenvolvimento econômico em todo o país. A atenção redobrada dos devedores com cobranças na Justiça, em virtude do projeto-piloto do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para reformular o Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud), também reforça a importância de um sistema financeiro acessível e eficiente para todos. O comércio agêntico, se bem implementado, pode ser parte fundamental dessa solução.