CEOs veem Lula favorito em 2026
Empresários já trabalham com cenário de continuidade e pedem menos impostos e mais ajuste fiscal
Fontes apontam aliança pragmática entre governo e grandes empresários para reduzir tensões políticas e econômicas
“Lula já ganhou”: CEOs veem 2026 encaminhada e apostam em diplomacia empresarial
Executivos de grandes empresas ouvidos pela Not Journal, sob condição de anonimato, avaliam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra no ciclo eleitoral de 2026 em posição amplamente favorável. Na leitura desses CEOs, a direita permanece fragmentada, com baixa capacidade de unificação em torno de um nome competitivo, e mesmo uma eventual aliança teria grandes chances de perder para um político descrito como populista, experiente e historicamente vitorioso nas urnas.
“Hoje, no mercado, a percepção é de que Lula está mais forte do que nunca”, afirmou um executivo. “A oposição não conseguiu construir uma liderança nacional clara.”
Nesse cenário, empresários relatam uma atuação crescente do setor privado na diplomacia institucional, com o objetivo de reduzir ruídos políticos e preservar previsibilidade. Fontes citam articulações entre o governo brasileiro e autoridades dos Estados Unidos para encerrar sanções envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, movimento que teria ocorrido a pedido de Lula ao então presidente Donald Trump, com apoio informal de empresários influentes.
Entre os nomes mencionados por executivos estão André Esteves, do BTG Pactual, e Joesley Batista, da JBS, como parte de um grupo de grandes empresários que vem atuando como ponte entre o governo e o setor privado, em uma estratégia pragmática de estabilização política e institucional. Procurados, os citados não comentaram.
Para os CEOs ouvidos, essa aproximação sinaliza uma aliança de interesses, mais prática do que ideológica, voltada à preservação de ativos e relações internacionais. Ao já considerarem uma nova vitória de Lula em 2026, executivos dizem que a principal expectativa é que um eventual novo mandato interrompa o ciclo de aumento de impostos sobre empresas, pessoas físicas e a indústria, e passe a priorizar o ajuste fiscal.
Caso isso não ocorra, afirmam, a estratégia seguirá focada em exportações, beneficiadas por um dólar estruturalmente forte — cenário positivo para grandes grupos, mas negativo para a economia doméstica. “A indústria interna vai perdendo espaço, enquanto ativos estratégicos acabam nas mãos de estrangeiros, sobretudo chineses e americanos”, resume um executivo.