Burning Man está queimando dinheiro – e talvez a própria estrutura
Apesar de contar com devotos bilionários, mais de 100 eventos derivados ao redor do mundo e uma legião de seguidores quase religiosos, o Burning Man está enfrentando sérias dificuldades financeiras.
Burning Man enfrenta crise financeira e vê público migrar para o verão europeu
O festival, símbolo da contracultura no deserto de Nevada, está queimando caixa em um ritmo alarmante, e o público que o tornou lendário parece estar procurando outras festas — ou simplesmente desistindo.
Uma fonte próxima à organização e ao círculo dos frequentadores mais influentes revelou à Not Journal que a atual crise não é apenas de dinheiro — é de identidade.
“O Burning Man era super hypado. Tinha vários camps dos bilionários, dos playboys. Levaram modelos do mundo todo — Victoria’s Secret, russas, estonianas, polonesas… Só que custa caro. E a organização começou a vetar esses camps.”
Segundo essa fonte, os organizadores passaram a barrar estruturas de luxo, como os camps que levavam modelos e influenciadores — justamente os que mais viralizavam nas redes. O festival teria abraçado uma postura mais “woke”, o que afastou uma parte relevante do público.
“Camps como o Humano, o Lagrange, o Casbah… todos foram vetados. A galera que bancava, criava conteúdo, levava energia e glamour simplesmente parou de ir. E o Burning Man começou a morrer por dentro.”
A fonte cita ainda que essa mudança afetou diretamente o que fazia o evento ser globalmente visível — os vídeos, as fotos, o desejo aspiracional.
Além disso, o verão europeu está tomando o espaço que antes era do deserto de Nevada: “Os ricos estão indo para Ibiza, Sardenha, Saint-Tropez. Mas os bilionários raiz ainda vão pro deserto”.
Nesse vácuo, novos formatos menores estão crescendo. A fonte cita, por exemplo, um projeto brasileiro que vem ganhando força:
“Tem o Immersion, do Greg Habib. Eles fazem imersões pelo mundo todo, pra 100, 200, 300 pessoas. Não é o tamanho do Burning Man, mas tem uma galera incrível. É meio burner, tá crescendo, e cobriu essa lacuna pra algumas pessoas.”
Enquanto isso, projetos como o Camp La Grange seguem ativos nas redes sociais, mantendo viva a chama criativa e espiritual que fez do Burning Man uma referência. Mas fora de Black Rock City.
E o Brasil continua bem representado na playa. Duas iniciativas brasileiras seguem em alta no Burning Man:
O Camp Favela, super consagrado no festival, respeita todos os princípios da cultura burner e vem crescendo no Brasil e no exterior. Este ano, inclusive, estreou um art car próprio na playa — um feito raro para grupos latinos.
O Camp Amazone, também brasileiro, é outra iniciativa elogiada dentro da comunidade, com presença sólida e consistente.
A pergunta que fica: o Burning Man está perdendo sua essência ou apenas resistindo a uma transformação inevitável? O tempo (e a areia) dirão.