Ambipar suspende dívidas bilionárias após aditivo controverso de ex-diretor
O Grupo Ambipar obteve uma medida cautelar na 3.ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro que suspende por 30 dias o pagamento de dívidas, execuções de cobrança e arrestos de bens, além de impedir cláusulas de vencimento antecipado
AMBIPAR
Grupo protegido de credores por 30 dias
A decisão, assinada pelo juiz Leonardo de Castro Gomes, ainda prevê a possibilidade de prorrogação por mais 30 dias e designa quatro administradores judiciais para acompanhar o processo.
Pré-recuperação judicial evita crise imediata
A medida funciona como uma espécie de pré-recuperação judicial, protegendo o grupo de ações de credores enquanto avalia sua situação financeira. Entre as dívidas impactadas está o pagamento de US$ 119 milhões ao Santander, que venceria em 25 de setembro.
Dívidas e aquisições aceleram alavancagem
O grupo acumulava cerca de R$ 11 bilhões em dívidas, resultado de 42 aquisições realizadas entre 2020 e 2022, período marcado por forte alavancagem antes da alta de juros. Um aditivo no empréstimo com o Deutsche Bank acelerou a saída de mais de R$ 200 milhões do caixa, criando risco de rombo que pode chegar a R$ 20 bilhões.
Riscos de vencimento cruzado e insolvência
Cláusulas de vencimento cruzado poderiam gerar insolvência imediata caso pagamentos não fossem realizados, justificando a cautelar antes de um pedido formal de recuperação judicial. O despacho judicial cita que o Deutsche Bank exige aporte de R$ 60 milhões, sob pena de vencimento antecipado de dívidas de US$ 550 milhões, o que poderia criar um rombo de R$ 10 bilhões.
Perfil e operação da Ambipar
A Ambipar, com receita líquida de R$ 5,7 bilhões em 2024, opera em 40 países e conta com 24 mil funcionários, oferecendo serviços de gestão ambiental, resíduos e resposta a crises.