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A mente e o bolso: por que gastamos sem querer?

_Economia comportamental explica as armadilhas mentais que nos levam a consumir impulsivamente, mesmo com o desejo de economizar._ Você planeja econom

Not Journal 20 May 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Economia comportamental explica as armadilhas mentais que nos levam a consumir impulsivamente, mesmo com o desejo de economizar.

Você planeja economizar, faz planilhas, corta gastos supérfluos, mas, no fim do mês, a sensação é de que o dinheiro sumiu? A resposta pode estar na economia comportamental, área que estuda como fatores psicológicos influenciam nossas decisões financeiras, muitas vezes nos levando a agir contra nossos próprios interesses.

A economia comportamental revela que não somos seres puramente racionais quando se trata de dinheiro. Nossas decisões são moldadas por uma série de vieses cognitivos, atalhos mentais que o cérebro utiliza para simplificar o processo de escolha, mas que podem nos induzir a erros. Um dos mais comuns é o "efeito manada", que nos leva a seguir o comportamento da maioria, mesmo que isso não seja o ideal para nós. Basta ver a popularidade de certos produtos ou serviços, impulsionada por influenciadores digitais, para entender como esse viés funciona na prática.

Outro fator importante é a aversão à perda. A dor de perder dinheiro é, psicologicamente, muito maior do que o prazer de ganhá-lo. Isso explica por que muitas pessoas se apegam a investimentos ruins, na esperança de recuperar o que perderam, em vez de assumir o prejuízo e buscar alternativas mais rentáveis. A sensação de escassez também desempenha um papel crucial. Promoções por tempo limitado, por exemplo, criam um senso de urgência que nos leva a comprar por impulso, com medo de perder uma oportunidade única.

A forma como as informações são apresentadas também pode influenciar nossas decisões. Um produto com o preço original riscado e um novo preço, aparentemente mais baixo, parece mais atraente, mesmo que o desconto não seja tão significativo. Essa é a técnica do "ancoragem", que utiliza um valor inicial como referência para influenciar a percepção do preço final.

Para o especialista em finanças comportamentais, Dr. André Silva, o primeiro passo para evitar cair nessas armadilhas é o autoconhecimento. "É fundamental identificar quais são os seus gatilhos de consumo, ou seja, as situações que te levam a gastar por impulso. Pode ser o estresse, a ansiedade, a influência de amigos ou familiares, ou até mesmo a simples exposição a anúncios publicitários", explica.

Uma vez identificados os gatilhos, é possível criar estratégias para lidar com eles. Uma delas é o "orçamento consciente", que consiste em definir limites de gastos para cada categoria e monitorar de perto as despesas. Outra técnica eficaz é o "adiamento da gratificação", que consiste em esperar um tempo antes de realizar uma compra por impulso. Esse tempo permite avaliar se a compra é realmente necessária ou se é apenas um desejo momentâneo.

Além disso, é importante questionar a influência da publicidade e das redes sociais em nossas decisões de consumo. Muitas vezes, somos bombardeados com mensagens que nos induzem a acreditar que precisamos de determinados produtos ou serviços para sermos felizes ou bem-sucedidos. É fundamental desenvolver um senso crítico e questionar essas mensagens, buscando fontes de informação independentes e confiáveis.

A economia comportamental oferece ferramentas valiosas para entendermos como nossa mente funciona quando se trata de dinheiro. Ao aplicarmos esses conhecimentos em nosso dia a dia, podemos tomar decisões financeiras mais conscientes e alinhadas com nossos objetivos de longo prazo, evitando cair nas armadilhas do consumo impulsivo e construindo uma vida financeira mais saudável e equilibrada. Em um cenário econômico global complexo, marcado por desafios como a crise de combustíveis (que impacta diretamente o orçamento familiar, conforme reportado pelo InfoMoney) e a necessidade de planejamento financeiro (como a declaração anual do MEI, um compromisso que muitos ainda precisam cumprir, segundo o G1), a compreensão da economia comportamental se torna ainda mais crucial para a tomada de decisões financeiras assertivas.

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