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“A indústria brasileira precisa ser defendida”, enfatizou o CEO da Gerdau,

Em encontro com líderes empresariais no Instituto Ricardo Brennand, CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, defende medidas contra competição desleal e alerta que falta de ação do governo pode frear investimentos e ameaçar a relevância da indústria nacional.

André Farias 11 Aug 2025
Gustavo Werneck cobra ação do governo para evitar retração de investimentos na indústria

Gustavo Werneck cobra ação do governo para evitar retração de investimentos na indústria

“A indústria brasileira precisa ser defendida”, enfatizou o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, durante sua participação, na sexta-feira (8), no almoço para CEOs promovido pelo Experience Club Nordeste, realizado no Instituto Ricardo Brennand, em Recife. O encontro aconteceu na Sala da Rainha, espaço inaugurado em 2003 na presença da monarca holandesa Beatrix e de seu príncipe herdeiro, reaberto especialmente para a ocasião, um cenário carregado de simbolismo para receber um dos principais nomes da indústria nacional.

Com André Farias e Ricardo Brennand Filho como anfitriões, o evento reuniu cerca de 200 lideranças empresariais e o prefeito João Campos. O bate-papo foi mediado por Paulo Sales, CEO do Grupo Moura, e uniu a história de Pernambuco a um debate sobre o futuro da indústria brasileira.

Indústria sob pressão

Em um cenário desafiador, Werneck destacou a urgência de medidas efetivas do governo federal para garantir um ambiente competitivo justo. “A indústria não precisa ser protegida, mas defendida contra uma competição desleal”, disse, referindo-se ao aumento das importações de aço, especialmente da Ásia, que não seguem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e ameaçam a viabilidade das operações nacionais.

Segundo o executivo, a concorrência desleal compromete diretamente a capacidade de investimento das empresas brasileiras. “A gente continua investindo, continua confiante, mas, à medida que não vemos ações mais robustas para garantir uma competição de igual para igual, vamos ter que repensar o nível de investimento no Brasil.”

Para Werneck, a defesa da indústria nacional é uma questão que vai além da sobrevivência empresarial: trata-se de sustentabilidade econômica para o país. Ele lembrou que a indústria é responsável por 29% dos impostos federais e 25% da arrecadação previdenciária, mas vem perdendo relevância no PIB.

Liderança em tempos de transformação

À frente da Gerdau desde 2018 e sendo o primeiro CEO de fora da família controladora, Werneck lidera uma transformação profunda na companhia, baseada na eficiência operacional, digitalização e cuidado com as pessoas. Inspirado pelos ensinamentos de Jorge Gerdau, colocou colaboradores e familiares no centro da estratégia.

Um dos exemplos foi a criação do Programa Mais Cuidado, uma hotline de apoio psicológico que já beneficiou mais de 60 mil pessoas, entre funcionários e familiares, reforçando a relação entre produtividade, desempenho e saúde mental.

O desafio da sucessão

Assumir o comando de uma empresa centenária com três membros da família no Conselho exigiu habilidade e disciplina. Werneck criou, junto ao Conselho, um documento de Regras de Ouro para garantir alinhamento estratégico, manteve reuniões mensais com a família e contou com o apoio de outros líderes, como João Paulo Ferreira, CEO da Natura.

“Mais do que entregar resultados financeiros, é preciso entregar um legado para a sociedade”, afirma.

Ele também buscou formar equipes com profissionais mais qualificados que ele em diversas áreas, atuando como facilitador e incentivando um ambiente seguro para inovar e errar sem medo, mudanças que ajudaram a empresa a atingir zero acidentes graves.

Tradição e inovação

Para Werneck, empresas centenárias carregam aspectos culturais que podem limitar a evolução. “O desafio está em quebrar resistências internas, especialmente as que não se manifestam de forma explícita.” Ele cita como inspiração empresas como a General Electric, que souberam conciliar tradição e inovação.

A mensagem final ao público foi clara: a união do setor empresarial é essencial para enfrentar gargalos estruturais, como o alto custo do gás natural e a atuação do crime organizado, e garantir que a indústria brasileira mantenha sua relevância no cenário global.

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