“A indústria brasileira precisa ser defendida”, enfatizou o CEO da Gerdau,
Em encontro com líderes empresariais no Instituto Ricardo Brennand, CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, defende medidas contra competição desleal e alerta que falta de ação do governo pode frear investimentos e ameaçar a relevância da indústria nacional.
Gustavo Werneck cobra ação do governo para evitar retração de investimentos na indústria
“A indústria brasileira precisa ser defendida”, enfatizou o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, durante sua participação, na sexta-feira (8), no almoço para CEOs promovido pelo Experience Club Nordeste, realizado no Instituto Ricardo Brennand, em Recife. O encontro aconteceu na Sala da Rainha, espaço inaugurado em 2003 na presença da monarca holandesa Beatrix e de seu príncipe herdeiro, reaberto especialmente para a ocasião, um cenário carregado de simbolismo para receber um dos principais nomes da indústria nacional.
Com André Farias e Ricardo Brennand Filho como anfitriões, o evento reuniu cerca de 200 lideranças empresariais e o prefeito João Campos. O bate-papo foi mediado por Paulo Sales, CEO do Grupo Moura, e uniu a história de Pernambuco a um debate sobre o futuro da indústria brasileira.
Indústria sob pressão
Em um cenário desafiador, Werneck destacou a urgência de medidas efetivas do governo federal para garantir um ambiente competitivo justo. “A indústria não precisa ser protegida, mas defendida contra uma competição desleal”, disse, referindo-se ao aumento das importações de aço, especialmente da Ásia, que não seguem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e ameaçam a viabilidade das operações nacionais.
Segundo o executivo, a concorrência desleal compromete diretamente a capacidade de investimento das empresas brasileiras. “A gente continua investindo, continua confiante, mas, à medida que não vemos ações mais robustas para garantir uma competição de igual para igual, vamos ter que repensar o nível de investimento no Brasil.”
Para Werneck, a defesa da indústria nacional é uma questão que vai além da sobrevivência empresarial: trata-se de sustentabilidade econômica para o país. Ele lembrou que a indústria é responsável por 29% dos impostos federais e 25% da arrecadação previdenciária, mas vem perdendo relevância no PIB.
Liderança em tempos de transformação
À frente da Gerdau desde 2018 e sendo o primeiro CEO de fora da família controladora, Werneck lidera uma transformação profunda na companhia, baseada na eficiência operacional, digitalização e cuidado com as pessoas. Inspirado pelos ensinamentos de Jorge Gerdau, colocou colaboradores e familiares no centro da estratégia.
Um dos exemplos foi a criação do Programa Mais Cuidado, uma hotline de apoio psicológico que já beneficiou mais de 60 mil pessoas, entre funcionários e familiares, reforçando a relação entre produtividade, desempenho e saúde mental.
O desafio da sucessão
Assumir o comando de uma empresa centenária com três membros da família no Conselho exigiu habilidade e disciplina. Werneck criou, junto ao Conselho, um documento de Regras de Ouro para garantir alinhamento estratégico, manteve reuniões mensais com a família e contou com o apoio de outros líderes, como João Paulo Ferreira, CEO da Natura.
“Mais do que entregar resultados financeiros, é preciso entregar um legado para a sociedade”, afirma.
Ele também buscou formar equipes com profissionais mais qualificados que ele em diversas áreas, atuando como facilitador e incentivando um ambiente seguro para inovar e errar sem medo, mudanças que ajudaram a empresa a atingir zero acidentes graves.
Tradição e inovação
Para Werneck, empresas centenárias carregam aspectos culturais que podem limitar a evolução. “O desafio está em quebrar resistências internas, especialmente as que não se manifestam de forma explícita.” Ele cita como inspiração empresas como a General Electric, que souberam conciliar tradição e inovação.
A mensagem final ao público foi clara: a união do setor empresarial é essencial para enfrentar gargalos estruturais, como o alto custo do gás natural e a atuação do crime organizado, e garantir que a indústria brasileira mantenha sua relevância no cenário global.