A IA deveria matar a consultoria. Em vez disso, Julie Sweet posicionou a Accenture para lucrar
Enquanto muitos acreditavam que a inteligência artificial tornaria o setor de consultoria obsoleto, Julie Sweet, CEO da Accenture, provou o contrário. Desde que assumiu o cargo em 2019, a executiva dobrou o valor de mercado da empresa para US$ 176 bilhões
Como a CEO da Accenture usou inteligência artificial para dobrar o valor da empresa
#Julie Sweet e o império Accenture: Como a IA não matou a consultoria – ela a multiplicou
Enquanto o mundo previa o fim da consultoria tradicional com o avanço da inteligência artificial, Julie Sweet transformou a Accenture na maior vencedora da nova era. Desde que assumiu como CEO global em 2019, a empresa quase dobrou de tamanho, saltando de US$ 90 bilhões para US$ 176 bilhões em valor de mercado. A receita anual cresceu de US$ 41 bilhões para US$ 65 bilhões. E boa parte desse resultado vem de uma decisão ousada: abraçar a IA antes de todo mundo.
Em 2023, antes mesmo de a maior parte dos CEOs entenderem o real impacto da IA generativa, Sweet já anunciava um investimento de US$ 3 bilhões em inteligência artificial. A empresa treinou milhares de colaboradores, estruturou mais de 2.000 projetos e já faturou US$ 1,8 bilhão com IA neste ano fiscal. Entre os grandes contratos está a parceria com a australiana Telstra, que firmou um acordo de US$ 700 milhões com a Accenture para uma joint venture em IA.
#Não só estratégia — mas execução
A grande diferença da Accenture está na execução. Enquanto McKinsey, BCG ou Bain entregam diagnósticos e slides, a Accenture vai além: desenha a estratégia, executa com sua própria equipe e opera a transformação. Seja com integração de sistemas, cloud, segurança cibernética ou implementação de IA.
A empresa soma hoje 774 mil funcionários — quase 20 vezes o tamanho da McKinsey — e atende gigantes como Citi, BBVA, Mars, Nestlé, Saudi Aramco e Pfizer. É o único player que entrega estratégia e operação em escala global.
#Um estilo de liderança direto ao ponto
O perfil de Sweet, ex-advogada, mistura estudo rigoroso e decisões rápidas. Em 2022, logo após a invasão da Ucrânia, foi uma das primeiras líderes globais a sair da Rússia. Em 24h, anunciou a saída e doou a operação local a funcionários do país, assumindo uma perda de US$ 96 milhões. Para ela, “fazer a coisa certa” não depende do que os outros vão fazer.
Durante crises como a COVID ou o recente anúncio de tarifas globais por parte de Trump, Sweet se antecipou, conectando-se com centenas de clientes para guiá-los em decisões estratégicas. Seu mantra: tempos incertos são oportunidades para agir enquanto outros paralisam.
#IA como alavanca — não ameaça
Enquanto o mercado se pergunta se a IA substituirá a consultoria, Sweet é clara: “IA é só tecnologia. O valor está na reinvenção do trabalho, das equipes e das ferramentas”. Ela vê a Accenture como protagonista dessa transformação — e não uma vítima dela.
#A missão é pessoal
Mesmo enfrentando um diagnóstico de câncer de mama neste ano, sua segunda luta contra a doença, Sweet manteve sua rotina como CEO. “O prognóstico é excelente”, escreveu aos colaboradores. O único ajuste foi restringir viagens. O foco segue o mesmo: guiar empresas globais em momentos de ruptura — com clareza, coragem e antecipação.